Mariazinhas do meu lugar

Preocupa-me as mariazinhas do meu país que bem não aprenderam a falar já foram caladas pela pedofilia, pelo trabalho infantil, pela gravidez sem pai e sem carinho, por uma escola pública cada vez mais miserável, pela sensibilidade anestesiada, pelas misérias institucionalizadas.
As mariazinhas do meu país sofrem sozinhas, desconhecem o significado prático de palavras como: solidariedade, justiça, afeição e amor.
O único sentimento vivido e o de abandono. As mariazinhas do meu país são meninas mulheres, não sonham, vão vivendo, sinto em mim as dores das mariazinhas do meu país, mas não são dores completas, só quem vive na penumbra de ter como pai e mãe o acaso e quem sente por completo a ausência da alegria, o desejo e o prazer de se estar vivo.
Ontem existia o negro, o branco e o índio, cada um em sua solidão étnica e toda carga de tragédias políticas entre eles, hoje há o branco e o branco de 2º categoria, o negro e o negro de 2º categoria e o índio e sua quase extinção étnica na caricatura da história. Misérias ampliadas, a humanidade de joelhos para si mesma.
São as tais tragédias a vencer a utopia de um mundo politicamente equilibrado: avanços tecnológicos e oficialização das delinquências sociais.
Vou dormir, espero que com esse frio lá fora, todas tristes mariazinhas do meu país estejam e durmam em paz. Mesmo com tantas dificuldades pela vida me recurso a existir sem sentido, de razão absoluta ou do caminhar pelo pragmatismo do ter e ser a qual custo.
Há os corações além da individual paz, há as mariazinhas e suas vidas prontas para acontecer... O dia amanhece sinuosamente nos braços da chuva, ao longe alguém ouve Rita Ribeiro, algo de lindo, ouço os roncos dos ônibus a levaram trabalhadores para seus empregos, alguém grita: é domingo!!! Embora não seja católico, vou à missa do Rosário ouvir Padre Rogério... Coração cheio de silêncio e amor pelas mariazinhas.
ediney-santana@bol.com.br
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