Meu amor por Yoani Sãnchez

A escritora cubana Yoani Sãnchez chama a atenção do mundo político e literário por em seus textos extremamente bem articulados desafiar o sistema ditatorial imposto pela família Castro em Cuba.
Determinada a denunciar e enfrentar os Castro, sabe que sua liberdade e até mesmo vida estão em grave risco, mas não récua e do seu blog escreve ao mundo o fim truculento e agonizante de uma revolução que negou sua própria razão de ser.
Yoani Sãnchez não é uma feminista requerendo o direito de “aprender como se goza” sobre a chuva de uma fragilíssima diversidade de papel. O feminismo negado por Yoani Sãnchez foi esboçado nos anos de 1960, as feministas daquela época, apesar de algumas conquistas importantes, são peças esquecidas no museu da história sociológica.
Yoani Sãnchez não defende causas feministas, não se isola em maçantes discursos simplórios sobre o suposto eterno jogo de interesses e poder entre os gêneros, porque sabe o quanto à exclusão e submissão há muito deixou de ser algo relativo ao (se é que um dia foi, creio que por detrás de tudo sempre esteve interesse econômicos e políticos) gênero e passou a ser econômica e social, sabe que é perseguida em Cuba não por ser mulher e sim por ser um ativista das liberdades cíveis.
Yoani Sãnchez denuncia as atrocidades do gênero humano independentemente se este veste calcinhas ou cuecas. Aos poucos sua luta, que começou com a literatura, vai dando os primeiros frutos; tantas outras mulheres e homens cubanos antes calados pelo medo do sistema agora começam a se organizar e fazer passeatas exigindo liberdade para os presos políticos e de escolha política.
Yoani Sãnchez iniciou sua luta de fora para dentro de Cuba, expôs ao mundo através do seu blog http://desdecuba.com/generaciony a difícil convivência entre o povo Cubano e a corte do senhor Fidel Castro. O resultado é que a ideia de uma ilha romântica cercada por bravos guerrilheiros que com seus fuzis enfrentam o Tio Sam com sua fome insaciável pelas riquezas do mundo aos poucos vai caindo por terra.
O Tio Sam é um canalha todo mundo sabe, a revolução cubana liderada por Fidel e Che foi importantíssima, um pequeno país enfrenta e vence poderosas estruturas capitalistas orquestradas pelos Estados Unidos, envergonha a superpotência que em seu quintal não conseguiu tirar do poder os barbudos de Sierra Maestra.
Che era um sujeito sem apego, romântico aventureiro e poeta das revoluções de dois continentes: o americano e o africano. Che não era um amante do poder, Fidel foi um brilhante líder, mas passou do ponto e acabou se transformando no que mais odiava: um ditador.
Yoani Sãnchez e uma é uma Simone de Beauvoir que deu certo, isso porque em linhas gerais a camarada Simone também passou do ponto nas bandeiras que defendia e acabou indo para o limbo da história literária e sociológica, re-visitada apenas como peça do museu histórico do pensamento, mas sem ressonâncias maiores nos dias de hoje.
Yoani Sãnchez não se prendou no jogo macho x homem, fêmea x mulher e as implicações de poder e dominação desse jogo, para ela isso é um debate sem sentido e se no Brasil essas coisas ainda são debatidas seriamente em mesas de bar-acadêmicos, acontece pelo primitivismo ideológico do país.
Yoani dedica-se a reflexão sobre o único gênero possível: o humano, alias isso não é necessariamente novo, pessoas como Schopenhauer, Nietzsche e Jesus, por exemplo, já sinalizavam nesse sentido. O resto é disputa de poder, o enfraquecido artificialmente sendo subjugado por quem no momento está fortalecido.
Yoani sabe que a ideia de fragilidade imposta à mulher é uma questão doutrinária construída politicamente e economicamente, sabe também que força não tem nada com atitudes violentas ou arrogância.
As novas margaridas cubanas nos traz alento neste momento em que tudo é tão igual e todos parecem personagens de um interminável Show de tv. Beijos Yoani, espero que um dia você seja presidente de Cuba, Cuba Libre.
http://edineysantana.zpi.net/
ediney-santana@bol.com.br

Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys