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Os royalties do Rio de Janeiro

O governador chorou, os burocratas do esporte ameaçaram: “sem os royalties nada de Copa do Mundo e Olimpíadas”.
São Pan-americano com seus 500% de superbanditismo faturado não olhai por nós na próxima Copa do Mundo e Olimpíadas¸ já temos nossas próprias tragédias por balas achadas em corações inocentes.
Os royalties do petróleo não chegaram e nunca vão chegar aos morros e suas encostas, os morros não derreteram pela chuva, derreteram pela “incompetência” dos sucessivos governos que de mãos dadas com paixões nazistas ajudaram a assassinar “ os quase nada”* da cidade de maravilhas tão frágeis.
Desvios das verbas que deveriam ir para o saneamento básico, ocupação consentida em áreas de risco, falta de eficazes políticas públicas para habitação e adestramento social, cultural e político de um povo a ri para o acaso que são suas vidas, tudo isso são estratégias da bandidagem narcopolitca para com o dinheiro dos royalties das águas quentes do Rio de Janeiro comprar seus lotes californianos na maré mansa da impunidade jurídica deste país.
Há muito já não é morte que mata, quem mata é a indiferença com a vida, o sangue do povo sugado ao banquete de bandidos por inspiração narcopolitca.
Ah! A morte deve sentir pena desse povo nascido para o nunca viver, desse povo que de tão anestesiado é incapaz de se indignar, desse povo a rezar para um deus tão morto quanto si mesmos.
...Mas os royalties do petróleo de São Sebastião do Rio de Janeiro, com seu Cristo de coração em metal, vai salvar a todos. O Rio de Janeiro será o cartão postal da anti-miséria do mundo. Favelas como o complexo de Ipanema, Copa Cabana, complexo da Barra da Tijuca desaparecerão inundados pelo negro horror dos royalties desviados para os bairros da Rocinha, Canta-Galo, Dona Marta, Alemão e tantos os Bairros de maravilhas reais.
Permito-me ao delírio na hora da dor de um povo tão parecido com minha baianidade cansada dessa alegria batuquira e surda para a vida a ser vivida.
Brotarão novamente das mãos dos homens nascidos sem mulheres, do chão como ervas daninhas, gente que na próxima chuva desaparecerão como os royalties extraídas das águas tão profundas quanto a dor “de uma gente que ri quando deve chorar/ e não vive /apenas aguenta” **
http://edineysantana.zip.net/
http://edineysantana.zip.net/
* Hélcio Alan
** Milton Nascimento e Fernando Brant

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