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1990

Pertenço à geração dos anos de 1990, a geração sem exageros ideológicos na criação de heróis ou bandidos. Se os anos de 1980 foram o da abertura, os anos de 1990 foi a década da ressaca, vazio e construção.
A máquina política inventora do cotidiano atuou vorazmente até os anos de 1980, destruiu e criou mitos, ergueu sonhos e encarcerou idealismos, deixou todos com a sensação de que tudo estava acabado e nada mais por descobrir ou criar.
Descobriu-se da maneira mais triste que a modernidade já era e que a pós-modernidade é um engodo, uma idade média em que a inquisição lança a todos na rede comum do cansaço em ser gente, ser gente deixou de ser uma novidade e passou a ser rotina, como cadáveres deixados em uma calçada qualquer e servidos à mesa todas as manhãs em programas de TVs pós-modernamente medíocres.
Claro que a máquina da invenção do nosso cotidiano continua atuando, mas hoje com bem menos força, essa máquina tem que lidar com os “monstros” inventados por ela. A tecnologia criada pelas grandes corporações para que aumentassem seus lucros e poder desde os anos de 1990 vem possibilitando tudo aquilo sonhado pelos Punks:” faça você mesmo”.
O “faça você mesmo” dos Punks vai concretizando um novo modelo cultural e político, nunca foi tão fácil projetar culturas e se fazer interferências sociais com poucos recursos e sem a pressão de vender, ter lucro, criar gostos ou ter que sorrir forçado para quem não tem harmonia com o que acreditamos.
As gravadoras, por exemplo, sempre determinaram quem seria Cult, sucesso ou descartável, agora enfrentam graves problemas para sobreviverem desde que elas mesmas inventaram as gravações digitais e a facilidade de cópia de seus produtos através de CDs e sites na internet.
A solução encontrada pelas gravadoras é ressuscitar os velhos discos de vinil. Já começam, com ainda, tímidas campanhas de marketing incutindo na cabeça dos incautos de que “o melhor som gravado é no vinil” que comprar vinil é” uma atitude cultural” e é claro resgatando um velho slogan “disco é cultura” e cd não é?
Com as copias livres de CDs e vídeos, o surgimento dos Blogs, TV a cabo e virtuais, home studios e editoras populares o processo de criação, deformação e divulgação artístico ou político deixou de ser exclusividade das grandes corporações do entretenimento ou da política.
Desde os anos de 1990 são os “desconhecidos” que estão formando ou deformando o “novo” Brasil. São esses “desconhecidos” que aos poucos conseguem a proeza de serem lidos sem estarem na listinha da Veja, serem ouvidos sem aparecerem em progamentes de auditório.
Tudo isso sem a internet seria impossível. Se há um inchaço de coisas ruins pela rede, há também um monte de coisas interessantes. Meus novos ídolos estão no Blogspot, MySpace, Zip net, Mídia Independente, Face book, Palco MP3, Yutub e em livrarias populares. Pessoas de todas as idades e gerações que sem a internet talvez eu nunca soubesse que existissem. As editoras tradicionais, por exemplo, não ou raramente lançam livros de novos poetas.
Meus novos ídolos não revolucionaram nada por encomenda das redes de TV ou gravadoras, estão expostos por aí como realmente são, não importa para mim se eles não têm um milhão de seguidores no twiter, ou se suas canções são as menos baixadas da rede, não gosto de fama, gosto de sucesso.
Se a internet é o lugar das falcatruas e inverdades é também o lugar que a dignidade artística e real talento estão ao alcance dos dedos. Contudo não estou dizendo que o produzido por gravadoras ou lançados por editoras tradicionais são ruins, não é isso, há milhares de boa gente lançadas por essas empresas, muita gente que ajudou na minha formação... Mas agora os excluídos desse processo cultural industrial têm uma oportunidade única de re-desenharem culturalmente e politicamente o nosso país.
http://edineysantana.zip.net/
ediney-santana@bol.com.br

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