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Congresso internacional do medo nº2

Quais são seus medos? Da solidão? Nunca conseguir um emprego? Ser assassinado? Estuprado por uma louca tarada? Nunca receber flores? Perder a inspiração e mergulhar no cinza da falta de criatividade?
Quais são seus secretos medos? Alguém descobrir que quando criança você era apaixonado pela tia Lili da 6ª série? Você veste roupas da sua mãe e brinca de casinha com sua namorada tudo para apimentar as noitadas de sábado? Medo de engordar ou emagrecer? Que os seus colegas da universidade descubram que você não perder um capítulo da novela das 8:00h?
Dos 14 aos 18 anos eu me arrumava todo e ia aos domingos para a Praça da Purificação, o motivo? Tentar conseguir minha primeira namorada ou ao menos o primeiro beijo, meu medo era morrer sem saber o sabor de um beijo. Foi difícil, não sou o tipo atraente para as mulheres do litoral aqui da Bahia, sou magrinho e tenho uma cor permanente de doente, gosto mais da penumbra das bibliotecas do que do sol moreno do recôncavo, aliás, para falar a verdade não sinto emoção alguma com mar ou praia, tudo isso me enche de tédio, mas o mar da Avenida Contorno em Salvador é lindo.
Bom, para os curiosos, dei meu primeiro beijo longe de Santo Amaro, quando estava de férias em Mundo Novo, fazer o quê? Quando as férias acabaram voltei amarrado para Santo Amaro, meu coração afetivo por aqui não seria bem resolvido, como até hoje não é.
Esse era meu maior medo: morrer sem beijar. Era um minúsculo medo, mas era o meu medo.
Se conviver com o outro não é fácil; conviver com nós mesmos, cá na rotina inseparável de estarmos a todos os momentos ligados as nossas queixas e aflições internas a coisa também não é fácil.
Aos nossos olhos somos a perfeita realização do que não há, vamos vivendo assim no que fazemos de nós mesmos e no que os outros idealizam sobre o que possivelmente somos.
Somos medo, tentativa de não ter medo e nos estranhado nas nossas bizarrices vamos roendo unhas e nos impondo ao mundo, caso contrário somos vencidos por tantos medos, e medo é algo que no mundo concreto não há, é a nossa fragilidade diante o desconhecido, exposta por fantasmas que dentro de nós tem um poder incrível.
Mas há o bom medo, esse geralmente chega acompanhado com o que chamamos de intuição, é ele que por vezes nos livra do laço certo do Tinhoso a soprar no nosso cangote doces verdades quanto pouco são armadilhas certas, no muito pode ser uma tragédia pessoal sem precedentes.
Uma tartaruga vive mais que uma geração inteira, a casa velha e assombrada da minha infância, vai assombrar a infância de minha filha e com certeza a infância dos meus netos.
As casas velhas e assombradas das ruas da infância de tanta gente vão ficar lá nas mesmas ruas, vão “viver” mais que todos os nossos medos somados. Então, vivemos muito pouco, menos que um tartaruga ou uma casa velha, por isso:
Vamos dar um tempo nos costumeiros medos, convidar uma antiga paixão e dançar na chuva, nos entregarmos sem medo nas vidas de tantos amores, dizer: Eu te amo porra!!!!!!
Não abaixar a cabeça todas às vezes que passarmos enfrente a casa velha e assombrada da nossa infância por puro medo, convidemos para nossa festa o garoto e a garota legais do jardim l e nesta festa o bicho papão vai nos servir um delicioso vinho tinto em mesa posta do não medo.
Ps - Sugestão de leitura: o poema Congresso Internacional do Medo de Carlos Drummond de Andrade
http://edineysantana.zip.net/
ediney-santana@bol.com.br

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