O encantamento de cada dia

A primeira vez que vi sexualmente uma mulher nua pensei estar diante da coisa mais linda do mundo.
Seduziu-me aquele corpo ali sem mistérios ou protocolos sociais, fiquei tremulo, ávido por entender como lidar com a prima vez de um corpo sem aspas em minha frente, estava ele encantadamente, demasiadamente humano, mais que nu, se dava a mim como se o mundo não existisse além daquele momento.
Não conseguir transar, a beleza do corpo superou em mim o tesão, sem saber o que dizer diante a decepção da pessoa que estava comigo disparei: “ amo tanto você que nem consigo fazer outra coisa nesse momento alem de dizer te amo”. O corpo nu vestiu-se saiu e nunca mais quis conta comigo.
Tudo isso aconteceu porque olhei para aquele corpo com inúmeros olhares, inúmeras taras e acabei por retirar dele tudo de lugar comum e óbvio, fiquei encantado.
E.N. C.A.N.T.A.M.E.N.T.O, por si só esta palavra já traz todo um charme, algo de prazeroso e alegre. Quando nos permitimos ao encantamento vamos a cada dia nos re-inventando é como se todos os dias um mundo novo estivesse ao nosso alcance.
Histórias como “Alice no País das Maravilhas” nos oferece uma explosão de encantamento, uma menina que transforma seu quintal em um mundo fantástico e lúdico.
Alice transformou seu quintal no País das Maravilhas porque reinventou a maneira de olhá-lo, não permitiu que a rotina matasse sua curiosidade e encantamento em redescobri inúmeras vezes as mesmas coisas.
Em o “Mágico de Oz” a menina Dorothy cria em seu quarto um mundo mágico e todas suas fantasias tornam-se reais, re-inventa sua vizinhança em personagens inesquecíveis. Quantos de nós já não transformou o quarto em um mundo aparte? Em um fantástico mundo de Oz em o qual os ídolos conversam conosco ou nos tornamos eles?
Em o “Pequeno Príncipe” um menino solitário redescobre a terra a partir de outros planetas habitados por pessoas bem parecidas conosco. No Pequeno Príncipe o encantamento revelado é o de decadência, tanto que o personagem central permite-se ao martírio ao deixar que uma serpente o envenene.
Em “Reinações de Narizinho”, clássico infantil para qualquer povo ou língua, encontramos duas crianças Narizinho e Pedrinho que vivem na cidade grande e vão passar férias na cassa da avó, em um Sítio, e lá redescobrem todo um mundo lúdico e colorido, lá redescobrem a própria infância.
Em “Reinações de Narizinho” o mito do poeta árcade é reinventado. Na cidade a vida automatizada, no campo o prazer de se descobrir e permitir-se encantado com as pequenas coisas, como uma, por exemplo, boneca de pano falante ou um sabugo de milho que parece um genial cientista.
Tudo isso nos sugere o quanto podemos sim escrever a cada dia uma cena alternativa a qual não se encerra na triste equação: “tudo é assim por ser assim e pronto”. Um adolescente a se encantar ao ver pela primeira vez um corpo nu, Alice, Dorothy, o Pequeno Príncipe, Narizinho e Pedrinho não viveram felizes para sempre, mas tiveram seus momentos de felicidade, viveram cada um na medida de seus encantos e fizeram dos seus lugares suas Utopias possíveis.
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Alice no País das Maravilhas foi escrito por Lewis Carroll
Mágico de Oz é da autoria de L. Frank Baum
Pequeno Príncipe, escrito por Antoine de Saint- Exupéry
Reinações de Narizinho é da obra de Monteiro Lobato

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