Viver ser gente

Outro dia vi na TV a história de um brasileiro que corre o mundo ajudando pessoas vítimas de tragédias como furações ou terremotos. Para ajudar quem necessita usa uma máquina de cortar concreto a qual ele mesmo fabrica.
Há uma frase do filósofo Karl Poper que eu adoro: “Trabalhe mais pela eliminação das maldades concretas do que pela realização do bem imaginário”. Gosto dessa frase porque ela nos chama a ação.
Salvar o nosso planeta é algo que individualmente não podemos e não há no mundo gente suficiente que queira isso, há muitas pessoas criando e vivendo em seu próprio mundo e estão pouco ligando se o mundo matriz se despedace pelo espaço.
Emociona-me quando vejo aqueles cientistas isolados na Antártida procurando entender melhor como funciona o nosso planeta e ao mesmo tempo tentando salva-lo, um professor que leva a vida toda estudando, pesquisando apaixonadamente uma nova fórmula a qual torne mais fácil os processos de alfabetização de jovens e adultos. Fórmulas preciosas de como podemos sim nos salvar e salvarmos nosso mundo.
Caro Karl Poper, há muita gente realizando o bem concreto. Milhares de pessoas ao redor do mundo utilizam e sobrevivem da natureza de maneira sustentável. De nada vale, sabemos, o nosso bem estar individual porque lá fora o caos, o medo e a violência batem a nossa porta querendo a todo custo estragar nossa festa.
Não há outra opção, ou cuidamos para que todos tenham oportunidades iguais ou nos preparemos para nossa idade média revisitada com o que de pior ela poderá nos oferecer.
Buscar caminhos alternativos de sobrevivência coletiva não é uma questão de altruísmos, é necessidade de estarmos por aqui na luta pelas nossas vidas que são interligadas queiramos ou não, se não for assim caminhemos então de mãos dadas para a autoextinção.
Pegar uma máquina cortadeira de concreto e se aventurar pelo mundo salvando pessoas desconhecidas, se embrenhar em um lugar gelado para testar e descobrir remédios, se oferecer voluntariamente para testar uma nova droga contra uma doença devastadora, oferecer sopa nas madrugadas fria de uma cidade a pessoas quais os movimentos sociais não enxergam nem como negras, pardas ou qualquer tipo de criatura e o governo não oferece nem suas esmolas oficiais me diz: não estamos tão maus assim, temos chance ainda, pessoas que agem assim é gente que vive ser gente.
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ediney-santana@bol.com.br



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