Desobedecer à história é essencial

Eduardo Galeano, escritor uruguaio, tem sido para mim nestes meus anos de exílio no recôncavo da Bahia uma paixão constante.
Quase sempre sozinho e com raros e pouquíssimos amigos, mergulho na literatura de Galeano e fico dia após dia mais próximo do modelo de humanidade desejada para meu coração “delinquente”.
Ao menos na literatura materializo minhas sinceras vocações, pouco a pouco vou deixando a “realidade”. Desobedeço a minha improvável história pessoal, mas cansei da “realidade” imposta, deixo apenas que ela vá acontecendo, não posso muito, talvez possa mais quando de mãos dadas com o Tempo à justiça for inventada neste país.
Em recente entrevista a revista Caros Amigos, Eduardo Galeano disse: “Romper com o velho hábito de obedecer à história, inventá-la. Ser capaz de imaginar o futuro e não simplesmente aceita-lo”.
Imaginar o futuro, inventar a história, desobedecer a modelos, criar com as próprias mãos o mundo que se deseja viver. Não são frases de efeito, são ideias de efeito recheadas de provocações e desafios.
Provocações ao que está aí reinado em totalitarismo querendo sempre nos fazer crer nas obviedades assassinas do que não for riso fácil e olhar pequeno sobre a vida, desafio a nós mesmos, nos chamar a luta interna contra uma artificial docilidade implantada em nós por uma cultura que tenta transformar tudo em produto de tão curta duração quanto à ilusão que há neste mundo liberdade e democracia.
Os cativeiros agora são mais poderosos, são invisíveis e passa a todos uma sensação de inclusão e de direito a voz, quando em verdade é cerceador voraz de direitos, pouco a pouco tentam aniquilar a capacidade intelectual ao servir frias ideias bisonhas sobre humanidade, cultura, educação e política ao nosso povo artificialmente apaixonado por tudo que for medíocre, sem sentido.
São os capitães do mato dos tempos de hoje, sem chicote, mas com controle remotos os quais nos dão ideia de liberdade, mas controlam quase todas as estações da vida.
Ao final da sua entrevista a revista Caros amigos Eduardo Galeano diz: “Cada pessoa é, de alguma maneira, muito mais do que sabe que é. Nós temos um arco-íris terrestre para recuperar que é de uma cor e uma alegria impressionante. É uma tarefa a fazer porque esses arco-íris terrestres são muito mais lindos, muito mais belos”.
Então assim seja, vamos re-escrever cada um sua própria história com sua própria paixão e lirismo sincero... Há o Tempo, Deus lindo a nos proteger diante a tragédia de alguns corações humanos que adoram se alimentarem do nosso “suor sagrado” *.
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ediney-santana@bol.com.br
*Renata Russo

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