“Singularíssimo”

“E dizem que a solidão/ até que/ me cai bem”. Sempre gostei desses versos do Renato Russo, gosto de coisas, palavras, canções e todas essências artísticas que definem a solidão não como algo triste, mas como também a possibilidade de entendimento com os nossos mistérios que mesmo sendo em alguns casos indecifráveis necessariamente não são inimigos.
Sempre fui meio marginal, não por acaso a literatura é para mim a expressão artística preferida. O escritor é por excelência um sujeito dado a multiplicidades sem abrir mão da sua singular solidão, para além de si em tantos outros corações se embriaga dissonante em amores... Por ódio nem sempre sinceros.
Fato é que nenhuma vida é suficientemente espetacular para ser personagem e roteirista de si mesma, é no conflito com tantas outras vidas que o comum torna-se singular e nos chama a atenção. Vivemos a romancear nossas vidas e em menor ou maior grau superlativamos tudo.
O escritor é de certa maneira um sujeito em si resguardado, mas isso não o impede de viver uma relação incestuosa com o mundo, mundo que de suas palavras busca ele fazer eco.
Gosto assim mais do outono que do verão, para dias assim tranquilos e sem movimento nada melhor que ler os escritores russos, leiam... Apesar das traduções duvidosas, vale muito a pena.
http://cartasmetirosas.blogspot.com
ediney-santana@bol.com.br

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