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Até que a morte nos eternize

Há algo que apavora boa parte da humanidade mais que a morte: a ideia que além da própria morte não há vida, além do túmulo só o esquecimento.
A simples sensação de que tudo acontece aqui e por aqui fica tira o sono de muita gente.
Não seria presunção querer viver para sempre? Individualmente há por aí grandes corações, mas na coletividade a humanidade não é lá grandes coisas.
Só os sete pecados capitais não bastam para ilustra toda delinquência cometida contra a vida, mas apesar disso crês-se que podemos viver, morrer e renascermos impunes( para atenuar isso há religiões que dizem existir os tais carmas), será que a humanidade merece a dádiva de uma vida eterna?
Das indulgências católicas as oferendas do candomblé, do voluntarianismo espírita aos dízimos evangélicos tudo tem com fim a vida eterna no paraíso de cada um, e claro a riqueza de tantos outros por aqui mesmo onde o tinhoso reina absoluto.
Para mim a vida acontece e só existe nesta possibilidade do agora. Por isso eu grito: amo você!!!!!! Me ame agora!!!!!!.
Eu morto não volto mais, meu coração é cristão, minha carne de um orixá sertanejo, meus olhos budistas e minha alma marxista canta na noite escura do tempo: “Tudo que é sólido se dissolve no ar” *
Tenho uma filha, plantei uma árvore e escrevo livros, então vou continuar existindo nas buscas da minha filha, nas leituras dos meus livros, na sombra que a árvore plantada por mim dê ao cansado viajante. Tem eternidade melhor que esta?
O tempo vai nos apagando lentamente e de repente é como se nunca tivéssemos por aqui vivido, como se nunca tivéssemos nascido, a vida segue indiferente com suas novas criaturas as quais vão fazendo a própria vida acontece indiferente ao que fomos ou ainda somos.
Viver para sempre seria bom, se não fossemos quem somos: um monte de ossos, pele e carne com presunção suficiente para inventar um deus que nos dê a imortalidade.
http://edineysantana.zip.net/
ediney-santana@bol.com.br
* Marx

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