O Nome da Rosa

Os monges da idade média se autoexilavam em mosteiros na busca de um contato mais “íntimo” com Deus.
Tenho certeza que muitos desses monges tinham o diabo na alma, não só na alma, mas nas entranhas e desejos mais promíscuos que os de Vadinho e sua tola Dona Flor.
Em tese os mosteiros eram ótimos lugares para buscar refúgio das tentações do tinhoso, mas será que isso dava realmente certo? As tentações dependem do lugar que estamos? Da geografia? Ou como queriam os naturalistas, até do calor, do sol, dos trópicos?(ler o cortiço de Aloísio Azevedo), Em “O Nome da Rosa” romance histórico, do meu maravilhoso Umberto Eco, ambientado na idade média há pistas que não.
Viver em um mosteiro era está longe de tudo, das tentações e das coisas que os olhos celebram com toda vontade canibal. Ledo engano, o mosteiro o qual é palco para o enredo do romance do Eco é um micro-organismo, palco de disputa pelo poder e conhecimento. Tudo isso salpicado de luxúria e orações.
Não tem jeito o corpo parece ter sido feito para se deliciar com as bobagens passageiras do mundo: sexo, grana, poder, drogas e tantas outras coisas descartáveis. A luxúria é o “pecado” preferido de muita gente, nela todos os outros “pecados” são criancinhas inofensivas.
Às vezes sinto vontade de correr para um templo tibetano e não sair de lá para nada, ficar recluso do mundo, entregue aos deuses da natureza, mas quando lembro das minhas luxúrias prediletas desisto. E quem disse que templos tibetanos são mais apolíticos ou assexuados que mosteiros medievais?
Sou, como Nietzsche, humano demasiadamente humano para santidades e retiros espirituais, prefiro pecar os olhos nus que os olhos de um deus fantasma a me esperar no juízo final e ao seu lado esquerdo escutar ele berrar: Ney, ao inferno.
Ps-Escute a canção “Paranóia” do Raul Seixas. A canção fala sobre um sujeito muito temente a Deus, por isso acha que se masturbar é pecado e o pior Deus estaria o tempo todo lhe vigiando e pronto para puni-lo.
Os monges do romance de Umberto Eco, não eram tão tementes a Deus quanto o personagem da canção do Raul, usavam do pretexto de uma suposta santidade para extorqui, violentar e manter na ignorância todos os que não estavam sobre a manto do Sumo Pontífice.
Além da suposta santidade os tais monges usavam de uma arma infalível até nos dias de hoje, o medo, mas não um medo qualquer: o medo do desconhecido que serve como cabresto para muita gente.
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