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Eu não sei... Se sei não sei, não.

Não há outro caminho: só avançamos em qualquer direção desejada se assumirmos o quanto somos ignorantes nos mais variados aspectos da vida. Embora brasileiros de um modo geral atuem como especialistas em tudo, sobretudo do que não sabem nada, nos alivia sabermos que nem tudo está perdido e há de encontrarmos por aí pessoas que não utilizam teorias sem comprovação prática alguma como pedra na qual toda verdade foi erguida.
Sócrates dizia que para entender os fenômenos da natureza o homem deveria voltar-se para si mesmo como ponte de partida para suas investigações. Ao pensar assim Sócrates promoveu uma profunda revolução que um dia possibilitou o surgimento de inúmeras maneiras de pensarmos e refletirmos a vida como a sociologia, psicologia e até mesmo o socialismo marxista.
Entender a si mesmo, saber-se ignorante, buscar ter domínio sobre as próprias emoções são essenciais questões, para segundo Sócrates, entendermos o mundo além das fronteiras do que somos.
Voltarmos nossas atenções para nossas paixões, propor e estabelecer diálogos internos é o caminho para a realização e felicidade pessoal que segundo Sócrates todos deveriam trilhar.
Paulo Freire, criatura que amo, assim como Sócrates, sabia o quanto o diálogo é importante na construção do individuo. Não se pode educar de fora para dentro, cada um já traz em si as marcas de tantas visões de mundo, o que um educador pode e deve fazer e estimular que estas marcas se revelem e apresenta-las as tantas outras visões de mundo e buscar um diálogo entre elas.
Diálogo, percepção, respeito aos saberes alheios, reconhecer as próprias limitações como pessoas. Parecem coisas simples, mas não é. Se educa para a brutalidade das imposições pessoais, impulsiona-se a assumir o comando de coisas que por vezes não se sabe nem o que se é.
O Brasil é um país de especialistas em absurdos, engenheiros diplomados pela ignorância estabelecida por uma educação sem diálogo. Tudo isso tem como missão condenar a morte a inteligência, em especial e sempre entre as classes populares, morte por cicuta, cicuta falsificada, comprada em qualquer feirinha made in China.
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