Masturbação social

Liguei a TV agora pela manhã e vi um jogador de futebol dizendo que seu sonho era jogar em um grande time para comprar uma casa para sua mãe, que já sofrera muito, mas Deus iria ajudá-lo a conquistar seu sonho. Também desejo que ele conquiste seus sonhos e compre uma casa para sua mãe, mas pobreza não faz Gol e nem histórias tristes vão comover a bola, é preciso entre tudo isso e acima disso tudo talento.
Não raro ao ligarmos a TV assistimos gente chorando desesperadamente se dizendo cantor e que merece uma chance, ou uma criança a qual os repórteres juram “vai ser um novo Pelé” tudo isso é bonito, mas não real. Comoções passam, o talento fica.
Não vou comprar um livro pela história de vida do seu autor, claro que histórias de superação são dignas de respeito, mas não são suficientes para transformar um cantor de churrascaria desafinado em um Fabio Golfeti
Pessoas pobres e geniais as quais tiverem uma vida difícil, sofreram, comeram o pão que nem o diabo quis não tiveram sucesso pelas suas histórias tristes, foram e é sucesso pela capacidade e talento artístico para aquilo que se determinaram a fazer, determinação e superação sem chantagem emocional.
Lula jamais seria presidente da república tão somente por ter chegado a São Paulo de Pau de Arara, se assim o fosse todos os outros políticos que tiveram histórias de vidas parecidas com a sua seriam presidentes.
O talento não tem classe social, Luiz Gonzaga nasceu em meio mato em Pernambuco e é um dos poucos gênios da musica brasileira, Caetano Veloso? Seu pai era um simples trabalhador dos Correios e sua mãe uma dona de casa comum, Gal Costa trabalhava em uma loja de disco em Salvador, Belchior era professor. Não foram de famílias milionárias, ninguém usou a própria história de vida para comover platéias, foram talentosos e alguns até com lampejos de genialidade.
Se alguém comprar um livro seu porque você é negro, ou vive nas ruas, ou é doente terminal, ou nasceu em pobreza objeta não está contribuindo em nada para sua arte, para o seu amadurecimento e crescimento pessoal e artístico. A fama qualquer um pode ter seus quinze minutos como preconizou Andy Warhol, mas sucesso é outra história.
Pintar um quadro há quatrocentos anos e que até hoje vale milhões de reais ou como João Ricardo compor dez ou onze canções e lança-las em um disco com o nome “Secos e Molhados” , na década de 1970, e até hoje ainda esse disco está em catálogo, publicar um livro “O Manifesto do Partido Comunista”, como fez Max e Engels e esse livro todos os anos varias universidades do mundo inteiro celebram seu aniversário de publicação, ou compor “Asa Branca” canção de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e vê-la transformada em lenda? ... Tudo isso não é avaliado por histórias de vida e sim por talento.
Vidas determinadas a vencer, vidas de lutas e sofrimento, mas nunca vidas chantagistas emocionais. Gosto de ler biografias, me comove saber como aquelas pessoas as quais tanto gosto batalharam, deram duro para vencer, mas me comove mais ainda saber o quanto essas pessoas nunca colocaram seus dramas pessoais à frente dos seus talentos.
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