Sem crises, apenas uma anotação

Há alguns dias fiz sexo com uma criatura, depois de ambos os corpos saciados, sim porque foi encontro de corpos e não de emoções, ficamos a conversar, ela me perguntara em que trabalhava: “serviços gerais no arquivo público da cidade de São Sebastião do Passé”. “Que tipo de serviços gerais?”, perguntou-me. Tudo, da limpeza ao atendimento a alguém que precise de alguma informação, respondi sem alargada importância.
Em dez minutos a tal criatura levantou vestiu a roupa, sorriu amareladamente, disse que nos veríamos por aí, abriu a porta, saiu e nunca mais a vi nem de longe.
Não perdi a calma ou fiquei me sentindo um trapo, como disse não foi um encontro de emoções, talvez se fosse ficaria uns dois dias praguejando contra o mundo, mas não é o caso.
Confesso o meu constrangimento não com ela, comigo. Por me permitir mesmo sem afetividade além da diversão para ambos ao contato com um ser humano tão superficialmente sincero em seus interesses mesquinhos.
Às vezes um pouco de mentira é melhor que a realidade vomitada na cara como se fossemos um vaso sanitário.
Não tenho lá grandes ambições com nenhum ser humano, vivo na balada do respeito necessário para que não me bestialize, para que minha individual humanidade não naufrague na lama mesquinha do ter para valer.
Quando vejo na TV casos como o do geleiro Bruno, sua namorada e no meio a maior vitima de tudo, uma criança, agora disputada pelos avós tão somente por ser possível herdeira de uma fortuna, então penso o quanto é café pequeno ser deixado em um motel só porque cuido da limpeza de uma repartição pública ou atendo pessoas... Seja lá como for abrir o coração a emoções é muito perigoso nestes dias, prefiro ficar na superficialidade da carne, mas não das pessoas... A carne qual final sempre vence.
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