A soma de dois deve continuar sendo dois

Blaise Pascal, salvo engano, espalhou pelo mundo a bela ideia de que o encontro de duas criaturas gerava uma única pessoa, a soma de dois para ele só seria exata se fosse um. Duas vidas que se juntariam para formar uma só, ideia cristã e cara a muita gente.
Pascal não se referia a geração de um filho quando dizia que a soma de duas pessoas geraria uma única, se referia a um casal que passaria a viver como uma única e universal pessoal.
Sabemos o quanto isso é impossível, assim como dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, dois corações não se somam para viver a mesma emoção como se o desejo de um estivesse ligado à realização do outro.
Ao somar dois para gerar um chega-se: anulação, mediocridade sentimental, assassinatos por ciúmes doentios, servidão emotiva.
Viver junto não é ser cem por cento o outro é não desejar ser o outro, não desejar estar dentro dos pensamentos do outro e principalmente não viver para o outro como se a própria vida não tivesse sentido, caso contrário temos servidão e não o que muita gente enganadamente chama de cumplicidade.
Por mais que se esteja apaixonado ou amando alguém, cada um não deve esquecer de ser tão somente quem é. Determinados espaços da vida de cada personagem em um casal são exclusividades de cada um, deve-se preservar a individualidade em nome de uma vida saudável a dois, sem confundir também individualidade com individualismo.
Com amor ou sem amor cada um deve continuar sendo quem é, sem forçar barra, afinal que graça tem em desespero sentimental ficar-se parecido com alguém só para tornar-se uma só personalidade girando em suposto amor no parquinho de diversão o qual tem hora marcada para fechar?
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