Diálogos com Ney Matogrosso

Um dos meus artistas do coração é Ney Matogrosso, para mim seria comovente ouvi-lo cantando uma das minhas canções... Ah! Ney me abre tua alegria sem sorriso. Já escrevi aqui no blog o quanto me impressiona o Ney quase nunca sorrir, alguém comentou que talvez ele o faça com o corpo, com sua singularíssima voz.
Em entrevista a rádio CBN Ney Matogrosso disse não desejar fórmulas para viver. Fiquei pensando quantas vezes acreditamos nestas tais fórmulas a nos prometer felicidade quase imediata.
O Ney está certo, por mais desejado por nós, o mundo é da surpresa e acaso, cabe para todos saber lidar com o não acordado, com o por acaso, com a constatação que não somos responsáveis e nem temos o controle total sobre os caminhos por onde nossos pés nos levam.
Claro, devemos traçar metas, planos, mas sem nos esquecermos quanto podemos ao instante seguinte às metas estarmos totalmente entregues ao destino desconhecido. Nunca saberemos se aquele banho gosto ao acordarmos será o último, se quando dizemos adeus pela manhã a nossa mãe antes de irmos para o trabalho será o último dela ou nosso, se seremos felizes na vida a qual aparentemente escolhemos viver.
A felicidade, realização profissional e sentimental não pode ser comprada em um supermercado como um molho de tomate. Os livros mais vendidos do mundo são os de auto-ajuda e todos trazem histórias de superação, vencedores e de como somos nós, tão somente nós responsáveis pelas nossas vidas e de como a dor pode ser uma grande professora.
Bobagens no papel que trazem felicidade para seus autores, que se entrarem em depressão podem pagar os melhores psicólogos do mundo, melhores médicos, enquanto seus leitores famintos por novas receitas de vida “saudável” estão a esperar a 26º edição do novo manual prático da pedra filosofal do enriquecimento interior.
Tem dias que quero e deixo três lindas garotas sozinhas na mesa de um bar e sem dizer “adeus” volto para casa sozinho, tem dias que como na música do Zeca Balero quero mandar flores ao delegado.
Vivemos na não fórmula. Nem auto-ajuda e nem ideias pitagoricas podem do dia para noite nos trazer equilíbrio e paz, mas tentamos ao menos por hoje vivermos como humanos o quanto o somos.
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