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Por que somos terceiro mundo?

Somos terceiro mundo porque ouvimos Beatles e mesmo na maioria das vezes sem entendermos uma só palavra em inglês juramos que o John é um gênio e o Paul um idiota. Somos terceiro mundo quando acreditamos que o ensino público é ruim tão somente porque os professores não recebem bons salários, quando encontramos um amigo em companhia de alguém e simplesmente ignoramos esse alguém.
Somos terceiro mundo quando discutimos células troncos enquanto a maioria da população não consegue fazer um simples exame de fezes, quando somos condescendentes com a ignorância e tolerantes com o banditismo de Estado, quando achamos natural a impunidade.
Somos terceiro mundo quando queremos salvar a Amazônia enquanto mendigos são queimados vivos pelo país a fora.
Somos terceiro mundo quando ficamos indignados com um ator estrangeiro de filme B ao afirmar que pode explodir o país inteiro e ainda lhe daríamos um macaco de presente, mas como estúpidos fazemos filas para assistir sua grande obra cinematográfica.
Somos terceiro mundo quando nos permitimos à passividade diante de crimes hediondos ou caímos como tolos nas redes panfletarias da mídia e gritamos: Pena de morte aos culpados!!!
Somos terceiro mundo quando fazemos amizade só com quem massageia nosso ego, com quem nos entende sempre, quando vamos para cama com alguém pensando em tirar proveito que não é necessariamente uma gozada bem gostosa , quando transformamos nossos corações em cartões de créditos, conseguir um emprego não pelo talento, mas pela estética de pernas abertas para o mundo.
Somo terceiro quando criamos leis para assegurar o cumprimento de leis que já existem,quando dizemos que a língua portuguesa é uma língua periférica ou inculta e bela, ou quando afirmarmos do alto da nossa ignorância: “ninguém sabe falar português direito”.
Somos terceiro mundo quando dizemos que não somos preconceituosos, mas sonhamos com um par “bem” sucedido para nossos filhos, quando nosso filho diz: “Pai sou gay” o pai responde “ não é mais meu filhos”.
Somos terceiro mundo quando fazemos piadas com as nossas desgraças, quando somos indeferistes as misérias alheias, como se existem misérias alheias.
Somos terceiro mundo quando fazemos sexo pelo MSN enquanto há tantas pessoas ou corpos interessantes por aí.
Somos terceiro mundo quando acreditamos que os fins justificam os meios, quando acreditamos que somos fruto do meio.
Somos terceiro mundo quando aceitamos passivamente uma vida bijuteria, somos terceiro mundo quando entregamos a Deus nosso destino, somos terceiro mundo quando nos entregamos a heróis os quis do nosso sangue faz adubo para suas individualistas colheitas.
Somos terceiro mundo quando amamos ao próximo mais que a nós mesmos, quando preferimos o cheiro das flores ao cheiro nosso, quando trocamos o dengo de um coração sincero pela pressa de se estar em evidência entre gente triste e careta.
Somos terceiro mundo quando acumulamos riquezas em detrimento à miséria de milhões, quando perdemos a emoção do toque, do beijo e percorremos alegremente o caminho da masturbação de ir para cama com o acaso encontrado em qualquer esquina.
Somos terceiro mundo quando desejamos alguém não pela alegria de se estar junto, mas pelo prazer sórdido da dominação,quando nos tornamos fies seguidores de gente nuvem, gente irreal a fazer ninho em nossos corações.
Somos terceiro mundo quando acreditamos que ser terceiro mundo é uma questão puramente econômica ou de se ter ou não um carro do ano na garagem, somos terceiro mundo quando nossas universidades estão mais para guetos intelectualoides, ou meras fabriquetas de ideias não práticas, ideias não reais que não pulam os murros dessas instituições, mas são financiadas pelo nosso sangue terceiro-mundista.
Somos terceiro mundo quando chamamos algumas pessoas de “Doutor” quando deveríamos chamá-las de bandidos, somos terceiro mundo quando questionamos um jogador de futebol por ter matado sua namorada, mas não questionamos o estado que foi acionado inúmeras vezes pela vítima e não fez nada para protegê-la, estado machista e polícia covarde.
Somos terceiro mudo quando chamamos alguém honesto de utópico, de sonhador, de viver fora da realidade. Podemos deixar de sermos corações terceiro mundo “*quando um poder novo nas almas derramar os místicos luares, então seremos povo!”, por enquanto somos apenas corações terceiro mundo.
* Cruz e Souza
ediney-santana@bol.com.br
http://edineysantana.zip.net/

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"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
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Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
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Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profunda…

Como é viver com ódio?

A internet parece ter sido transformada na vitrine do ódio. Sempre encontro bons vídeos e sites na internet com conteúdo interessante e instrutivo, mas esses sites e vídeos têm baixíssimas visualizações, por outro lado sites e vídeos com conteúdo de ódio ou violência têm milhares de acessos. Canais de políticos que não tem nada de proativo ou ideias criativas e práticas, mas explodem de ódio batem recordes de seguidores que expõe ódio, violência verbal e ameaças.   Parece ser um estado permanente de ódio, seja religioso, sexual, político ou cultural, nada escapa ao ódio. Algumas manifestações de ódio são abertas ou diretas, outras são disfarçadas de altruístas, mas todas têm como objetivo neutralizar qualquer voz dissonante dos que esses furiosos ambidestros pretendem. No mundo da violência emocional odeia-se por um único motivo: não há no mundo espaço para concepções socais diferentes das quais a ambidestra cavaleira do ódio defende.   O ódio emburrece, torna bruto corações e mentes…