A luz da sombra

Os olhos são os pecados d’alma. A indiferença o litígio perverso que inventamos para nos distanciarmos do outro que por algum motivo nos traz sugestão de morte e não de vida, o outro que por algum motivo perdeu a capacidade de nos encantar.
Se desejarmos algo ou alguém primeiro devoramos com os olhos, são os olhos sedutores de primeira ordem, o discurso mundo que poucos resistem. Quando cansamos de nos “fartarmos” com esse algo ou alguém o laçamos no limbo da vida, ou seja, a indiferença.
Se formos nós o objeto do cansaço, geralmente batemos na porta e ninguém tem disposição para abrir, aí depois de inúmeras noites chorando encolhido na cama você acorda e decide viver e para isso o primeiro passo: ter a mão a indiferença com a própria condição de só e ao mesmo tempo toda possibilidade de parcerias que estão soltinhas por aí a nos esperar de braços abertos.
Braços abertos para qualquer coisa inclusive só um deliciosa trepada ao fim do sábado, por isso não coloque o coração nos olhos, coloque o corpo. Seu corpo sabe cuidar de você mais que seu espírito romântico.
A indiferença nos coloca em xeque na relação de solicitude com o outro. Por quê? Porque o alegre da vida e da comunhão é nos encantarmos e nos deixarmos também pelo outro ficar encantados.
Olhar o outro como se não existisse, como se esse outro fosse um vazio falante, confesso: já fiz muito isso.
Toda vez que transformei alguém em vazio transparência, ao chegar em casa me sentir um pouco envergonhado, mas é melhor ter sempre a indiferença a mão do que ser sentimentalmente falso ou mal educado com o coração das pessoas aflitas por um amor que não posso sentir.
O melhor é nos despedirmos do que para nos perdeu o encanto com a delicadeza do começo, da descoberta, do primeiro aperto de mão, se não for possível...
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