Pular para o conteúdo principal

A luz da sombra

Os olhos são os pecados d’alma. A indiferença o litígio perverso que inventamos para nos distanciarmos do outro que por algum motivo nos traz sugestão de morte e não de vida, o outro que por algum motivo perdeu a capacidade de nos encantar.
Se desejarmos algo ou alguém primeiro devoramos com os olhos, são os olhos sedutores de primeira ordem, o discurso mundo que poucos resistem. Quando cansamos de nos “fartarmos” com esse algo ou alguém o laçamos no limbo da vida, ou seja, a indiferença.
Se formos nós o objeto do cansaço, geralmente batemos na porta e ninguém tem disposição para abrir, aí depois de inúmeras noites chorando encolhido na cama você acorda e decide viver e para isso o primeiro passo: ter a mão a indiferença com a própria condição de só e ao mesmo tempo toda possibilidade de parcerias que estão soltinhas por aí a nos esperar de braços abertos.
Braços abertos para qualquer coisa inclusive só um deliciosa trepada ao fim do sábado, por isso não coloque o coração nos olhos, coloque o corpo. Seu corpo sabe cuidar de você mais que seu espírito romântico.
A indiferença nos coloca em xeque na relação de solicitude com o outro. Por quê? Porque o alegre da vida e da comunhão é nos encantarmos e nos deixarmos também pelo outro ficar encantados.
Olhar o outro como se não existisse, como se esse outro fosse um vazio falante, confesso: já fiz muito isso.
Toda vez que transformei alguém em vazio transparência, ao chegar em casa me sentir um pouco envergonhado, mas é melhor ter sempre a indiferença a mão do que ser sentimentalmente falso ou mal educado com o coração das pessoas aflitas por um amor que não posso sentir.
O melhor é nos despedirmos do que para nos perdeu o encanto com a delicadeza do começo, da descoberta, do primeiro aperto de mão, se não for possível...
http://edineysantana.zip.net/
ediney-santana@bol.com

Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profunda…

Como é viver com ódio?

A internet parece ter sido transformada na vitrine do ódio. Sempre encontro bons vídeos e sites na internet com conteúdo interessante e instrutivo, mas esses sites e vídeos têm baixíssimas visualizações, por outro lado sites e vídeos com conteúdo de ódio ou violência têm milhares de acessos. Canais de políticos que não tem nada de proativo ou ideias criativas e práticas, mas explodem de ódio batem recordes de seguidores que expõe ódio, violência verbal e ameaças.   Parece ser um estado permanente de ódio, seja religioso, sexual, político ou cultural, nada escapa ao ódio. Algumas manifestações de ódio são abertas ou diretas, outras são disfarçadas de altruístas, mas todas têm como objetivo neutralizar qualquer voz dissonante dos que esses furiosos ambidestros pretendem. No mundo da violência emocional odeia-se por um único motivo: não há no mundo espaço para concepções socais diferentes das quais a ambidestra cavaleira do ódio defende.   O ódio emburrece, torna bruto corações e mentes…