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O lugar comum

Rachel de Queiroz nos conta na deliciosa crônica “Amor”, escrita em 1962: “O lugar comum é mesmo o refúgio universal que livra de pensar e dá a quem usa a impressão de que mergulha a colher na gamela da sabedoria coletiva e comunga das verdades eternas, o que, aliás, pode ser verdade”.
Maravilhosa alfinetada da Rachel nos discursivos do lugar comum, no império do lugar comum a nortear e facilitar vida de quem não quer ganhar tempo exercitando a maravilhosa máquina que é o cérebro, quem não quer ganhar tempo pensando geralmente se contenta em ser um quiabo, o problema é que quiabos falantes quase sempre têm um poder imenso de penetração e indução na vida de milhares de pessoas.
O lugar comum é a muleta do pensamento, rascunho frágil erguido sobre base do nada, mas que engana muita gente, é pose não o conteúdo, ou melhor, a troca do conteúdo pela forma. O Brasil é um país lugar comum, tão comum que o presidente se orgulha de nunca ter lido um livro e um bocado de petistas acadêmicos dizem: “isso é humildade, isso é ser povo, é ser Brasil”; deve ser mesmo.
O Brasil é o país no qual o povo aplaude de pé a inauguração de uma escola pintadinha, novinha, enquanto professores e funcionários ganham um salário de fome, alunos comem ração no lugar da merenda escolar, além disso, alguns professores com a desculpa dos baixos salários ainda boicotam o ensino e aprendizado dos alunos pouco se lixando com o futuro da pátria amada e idolatrada.
Quer saber? Eu sou lugar comum!!!! Estamos todos em um transatlântico cheio de cupins, cupins lugares comuns. No nosso brazuca jornalistas são especialistas em tudo, economia, literatura, vida e sexo sem orgasmo, lugar comum na desinformação diária...
Lugar comum na fé e no ódio, na trepada sem graça e invariável das madrugadas etílicas e sem amor, nas pessoas as quais só entram nos blogs para: “agradeço pela visita em meu cantinho”... Quero me abraçar e embolar com Rachel de Queiroz antes que a Dilma, lugar comum, Russefe, apague as luzes do meu cérebro que se recusa a ser lugar comum como a Ana Maria Braga e o seu “A espera dos filhos da luz”.
ediney-santana@bol.com.br
http://edineysantana.zip.net

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