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“Diga não obrigado”

Rita Lee um dia gritou seu cansaço com o mundo da falta de gentilezas: “diga não obrigado!!!!”, diz o refrão de uma das suas canções.
Diga você também “não obrigado”. Estamos ranhetas demais, na ponta de uma faca descamamos nosso humor.
E o Brasil? Agora os evangélicos obrigam um candidato à presidente assinar manifestos dizendo se for eleito o que vai fazer ou não. Bem vindo a nossa idade média. “Diga não obrigado” a essa interferência nem um pouco divina.
E o aborto? Enquanto milhares de mulheres morrem todos os anos em clínicas clandestinas ao tentarem abortar; nossos religiosos, feministas e políticos ainda discutem se deve ou não ser o aborto descriminalizado. Açougueiros disfarçados de médicos agradecem, funerárias também. “Diga não obrigado” a falta de verdade e coerência dessa gente, a punhetagem intelectual cheia de libertinagem religiosa, falsa libertinagem é claro.
Senhores e senhoras como Raul Seixas eu canto: “tudo que quero é só função de eu”. Será que isso ainda é possível?
Não, muitíssimo obrigado pelo aperto de mão, mas não é necessário. Não, não quero a salvação, meu deus já sabe o quanto sou pecador. Não obrigado!!!
Na Bahia vejam só, Leo kret, travesti e vereadora em Salvador, foi candidata a deputada estadual e não teve o apoio do Grupo Gay, por que será? Leo Kret é povão demais, gosta de tomar banho na laje de sua casa. A turminha do GGB chama isso de ser vulgar... “Diga não obrigado” rapaziada.
Para evangélicos, machões e padres inquisidores tanto faz ser gay pobre ou do GGB é tudo gente que deve cair na faca ou na água benta. “Diga não obrigado” a ignorância da auto-homofobia.
Ainda tem os poetas da praça, colocaram na cabeça que a “praça é do povo como o céu e do candor”, Castro Alves, diria “não obrigado por está homenagem chata e sem criatividade, rapaziada menos grito e mais poesia”.
A praça é do candor, do povo, dos mendigos, dos trombadinhas, das prostitutas de R$ 1,99. Esse tipo de poesia vocês não recitam nem com uma cenoura na garganta, menos catinguelelê e mais poesia...
“Diga não obrigado” ao café com leite, ao são Dom Lula de FHC... Só no Brasil mesmo: maconheiros e toda filharada do Zé Pelintra grita aos quatro ventos “nossa Senhora da Purificação tende piedade do meu fígado podre de ódio, bêbado de canalhice”.
“Diga não obrigado” aos conservadores de esquina, aos liberais fajutos, delinquentes e ninfomaníacos que pregam a pureza do sexo quando trepam até com cachorros de rua. “Diga não obrigado” para essa gente a viver como muriçocas a sugar nosso sangue, gente chata que não fala apenas zumbe.
Uma poesia de Alberto Baraúna, por favor?













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