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The End (a morte é uma nova chance de vida?)

Defendeu apaixonadamente todas as bandeiras de sua geração.Certa vez o encontrei sentado no chafariz da Purificação, tocava suas desafinadas canções com a emoção a flor da pele, era ele só emoção, pele e flor.
O vi embriagado declamando poesias, escravo de suas paixões, refém da sua imutável crença em que todos os corações são uma revelação divina.
Ajudou, abriu portas... Acabou dormindo pelas ruas, pensou ser amado, mas nunca em verdade foi.
Ficava deprimido, trancava-se em si para logo em seguida oferecer-se ao mundo. Gostava das ilícitas paisagens pelas quais era seu corpo aquarela encantada em toda cidade.
Amou em verdade profunda, o ódio nunca fez pouso em seu coração, mas o ódio sempre esteve nos gestos de quem lhe jurou amor.
Rezava baixinho no pequeno altar escondido em seu quarto sombreado em inúteis nostalgias. Adoeceu, sabia que era grave, mas ficou quieto, no fundo o mundo começou a cansá-lo, sabia que os seus ficariam bem e o quanto a pequena semente cresceria em sagrada alegria.
Adoeceu em tristeza profunda, como Jó se viu abandonado pelo mundo o qual achava possível e em verdade nunca houve.
Seu coração batia feliz, mas batia sempre sozinho, uma tarde caiu de joelhos, olhou para o céu, tentou entender o porquê de tanta dor.
O vi falando alto pelos bares, voltando para casa sozinho, sendo humilhado... Nunca entendeu os sinais do amor que lhe foi dado na alegria de com ele estar.
O vi em um show da Contracultura, na passeata de estudantes, no DCE pedindo diversidade enquanto era tratado pelos seus na igualdade de ser ninguém.
Certa vez pintou um enorme Cristo, não sabia o quanto aqueles pregos e mãos eram suas... Tão seus quanto à dor sozinha em ser ele amor em singular existência.
Essa manhã olhou-se no espelho, não se reconheceu , voltou para cama, viu sua alma valsando em sua frente, finalmente estava livre para viver o mundo.
Adeus meu amigo, foi um prazer, vai em calma paz, eu sei, de quem só quis do mundo o bem ...um bem.












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