Tempestade em copo d’água

“Vai ter que ser/ fé cega e faca molhada”. Os Versos de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos na voz de Beto Guedes caem como uma luva nestes dias de corações de pouca fé e sem paciência para o diálogo.
Entre a Fé cega litigiosa de perspectivas que não sejam as suas e a faca molhada da violência vamos cada vez mais nos transformando em seres intermediários entre o humano e qualquer coisa animalesca .
Quando Milton Nascimento e Ronaldo Bastos escreveram “Fé cega, Faca molhada”, estávamos em tempos difíceis, havia pouca liberdade, “crime e castigo” em ambos os lados da velha moeda esquerda ou direita política, a mesma que não sabíamos, mas tramavam o casamento que hoje é essa incestuosa relação da política brasileira.
Nestes dias de fé cega por nada e para nada no qual a faca molhada serve como resposta a quase tudo, todos nós corremos perigo de sermos vítimas ou vitimarmos alguém na balada dissonante da desvalorização da vida acentuada por perspectivas sombrias e estresse cada vez mais impiedoso.
A fé cega não perdoa mata! Fé cega na impunidade, no pré-conceito levado a condição de máxima intransigência.
Faca molhada da brutalidade, do escape pela dor, a violência como meio e fim para coisa alguma, a violência espiritual e negações da caridade.
Vem o caos gestado nas pequenas coisas, vai-se a beleza do único gênero possível, o humano. Vem embalado pela fé cega e faca molhada no imenso vazio a nos nivelar na camisa de força das igualdades forçadas, dos sorrisos fúteis.





Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys