Dor e desejo

Para muitas religiões orientais a dor, tristeza, cansaços emocionais e toda sorte de distanciamento com a serenidade nossa de cada dia provem do desejo.
Desejar então é sofrer. Desejar é ir muito além do nosso isolamento dentro do corpo, aliás, o nosso corpo quer é se libertar de qualquer amarra espiritual que o deixe distante das benesses do prazer, da euforia momentânea de um desejo realizado.
Desejamos com e pela matéria. A não realização dos desejos fatalmente leva-nos ao sofrimento, mas uma vez realizado um desejo imediatamente outros tantos brotam dos nossos poros em um e vir de sentimentos sem fim, o que também pode levar ao sofrimento.
Educar para desejar tão somente o essencial para viver talvez seja à solução, acabar os cursos e empresas de publicidade, comercias na TV e rádio não seria de todo uma má ideia. A publicidade nos leva além dos desejos naturais, nos afoga em aflição para termos um bando de bugiganga as quais nem sabemos ao certo para que servem, apenas deseja-se.
Quem não lembra da canção do Raul Seixas “Eu tenho uma porção de coisas/para conquistar /e não poso ficar aí parado/”. Desejar aqui para o Raul não é sofrimento, ao contrário é condição para um viver com vida e não um viver fantasmagórico.
Nem tão e nem tão pouco creio que o equilíbrio entre desejar e realizar-se seria um Nirvana bem próximo de qualquer mortal não iluminado por divindade alguma.
Esses dias tenho refletido sobre os meus desejos, descobri o quanto estão estacionados, estão diminuído e nem por isso tenho uma vida menos árida ....Mãe!!!! Fiquei apavorado, sou um budista sem paz e nem Nirvana...
Com dor ou sem dor desejar é essencial, dar e receber do corpo as mais gotosas sensações, possibilitar que o desejo se materialize de maneira saudável, prazeroso e um viver real de alegria sincera.
Karl Marx escreveu: “Cada um segundo a sua possibilidade e capacidade”, é uma belíssima sentença, mas que encarcera os desejos e a nossa melhor dádiva: a de superar quaisquer expectativas, o ser humano dentro dos seus desejos é ilimitado.
Então fico com uma frase anotada por mim em um para-lamas de um caminhão: “Queria levar vc para 1/4 , mas vc só queria um 1/6 de flores do meu jardim” Não sei porque mas achei isso lindo. O interesse sexual (¼) e o interesse capital (1/6) de flores.
As loucuras se desenham na inocência e simplicidade com que encaramos os fatos mais complexos, o desejo tomado pela loucura não reconhece pudores ou teme dores, segue levado pelos abraços, corações apaixonados por orgasmos que se não coletivo ao menos singular, mas intenso.
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