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Impotência

Sair às ruas é nos depararmos quase sempre com situações esdrúxulas, anomalias sociais as quais quase sempre não podemos fazer nada. O Brasil é um país de cidadania impotente, de cidadãos e cidadãs impotentes e há os que negam a cidadania e vivem de braços dados com a bandidagem de Estado ou não.
No salve-se quem puder brasileiro muita gente prefere o anonimato cidadão, ou seja, quanto mais passar despercebido melhor. Não se envolver com o bem e rezar para que o mal não bata a porta como se a indiferença social fosse possível.
O outro lado disso tudo é a inversão por completo do que entendemos por cidadania, no lugar da ordem e progresso da bandeira poderia-se colocar: Nem ordem ou progresso, pátria de interesseiros e impotentes.
Tudo isso nasce da fragilização de todas nossas instituições. Hospitais mal cuidados se transformam em berçários para bactérias, escolas deformam mais que formam e a nação aplaude o funerário de si mesma.
O povo, ah! O povo com sua cidadania de quatro pés não é inocente, articula-se geralmente com o pior do país e pouco liga para si mesmo quanto mais se o seu vizinho cria além de mosquitos da dengue no quintal também a mesma indiferença cidadã para com ele, afinal dois corações pré-fabricados na abominável estrutura social brasileira funde-se em um só povo que vive e não existe.
O povo definitivamente não é vítima de nada, na menor das hipóteses é cúmplice dessa impotência toda, mas para o povo camelôs vendem: Pramil estimulante de punheta social em corpos sem tesão.
Nas próximas eleições vou votar para presidente em quem se declare ateu, a favor do aborto, da descriminalização das drogas, quem proponha cobrar imposto de todas as religiões cujo seus lideres sejam proprietários de redes de TV, gráficas, gravadoras, jornais e rádios, quem não invista um centavo se quer na recuperação de nenhum templo religioso S/A.
Quem proponha a pena de morte para agentes públicos pegos com a mãos na botija do tesouro nocional, quem proponha leis que obriguem os políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas e determinem que todas as mulheres e filhas desses mesmos políticos devam fazer exames ginecológicos, mamografias em postos de saúde de bairros. Tá bom em 3087 ou voto para presidente.
Não somos um país de corações inocentes, cada um faz de si a possibilidade de tantas razões, pouco sobra para afeição delicadeza, por isso... Mais que de Marx ou Kafka precisamos é de corações de vergonha na cara.
ediney-santana@bol.com.br

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