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Monteiro Lobato no banco dos réus

Monteiro Lobato foi preso por Getúlio Vargas, foram muitas as acusações: representava um perigo para a nação, suas histórias infantis acusadas de serem comunismo para crianças, ter criado a primeira empresa brasileira para exploração de petróleo. Getúlio, como grande ladrão de ideias boas e ruim que era, com base na ideia boa de Monteiro cismado em encontrar petróleo no país, criou a Petrobrás.
Muitos anos depois disso tudo são levados aos bancos dos réus Pedrinho, Narizinho e Dona Benta. Motivo? Racismo. Reinações de Narizinho é a prova do crime. Cadeia póstuma ao velho Monteiro Lobato, ele que era comunista, pode ser preso (mesmo estando morto) pelos comunas direitistas chefiados pelo Grande Irmão branco: Lula (leiam “1984” livro de George Orwell)
Em reinações de Narizinho Monteiro Lobato nos mostra o Brasil rural paulista, com seus coronéis e preconceitos, antes o país imaginava que coronelismo era coisa só do nordeste. Nas suas reinações no Sítio do Pica Pau Amarelo Narizinho e Pedrinho, duas crianças da cidade, se encantam com o mundo mágico apresentados a eles pelas histórias de Dona Benta e Tia Anastácia que criam todo um universo lúdico e apresenta parte da nossa cultura popular aos dois coraçãozinhos urbanos de Pedrinho e Narizinho.
O livro viaja entre o fantástico e a dura realidade de um país cheio de contradições. Em determinados momentos o narrador do livro descreve Tia Nastácia com o olhar que se tem e sempre se teve até aqui das empregadas domésticas, hoje tratadas pelo eufemismo de “secretárias do lar”.
Monteiro Lobato não foi preconceituoso ou racista, levou ele para o imaginário infantil temas difíceis com o preconceito social e de raça. Fazer um recorte em uma obra literária e apontá-la como racismo é que é um crime, quem faz isso deveria ser processado por manipulação cultural.
Querem agora colocar notas explicativas nos livros de Monteiro Lobato. O que deve-se cobrar dos governos é uma profunda reforma no ensino fundamental, na formação de professores que vão atuar no nas séries iniciais para que tenham condições de trabalharem com um livro tão complexo como Reinações de Narizinho, como diria Antoine de Saint-Exupéry, livro que só as crianças entendem.
Não conheço nenhuma criança negra ou branca que tenha se tornado racista por ter imaginado-se vivendo inúmeras aventuras com o Saci, aliás o Saci é o elemento mitológico do bem na história junto com as crianças luta contra a Cuca, uma espécie de mutação de jacaré e gente sempre pronta para pegar daqui e comer dali.
Por que ninguém fala do ensino público fundamental no país? Só falam de cotas para universidades ou Enems e Prós- unes? Porque tanto professores e alunos das escolas públicas do ensino fundamental não têm prestígio social e político, são esquecidos, tratados como se fossem invisíveis não importando se negros ou brancos.
Deveria-se, no caso da Bahia, cobrar publicamente do governador do estado explicações pelo extermínio em massa dos jovens negros dos bairros não centrais de Salvador, cobrar da justiça a prisão de agentes do turismo sexual que estupram e roubam a infância das nossas meninas negras transformadas em “mulatas” do prazer.
Deveria-se convidar alguns cantores de bandas de pagodes da Bahia para uma educação cultural e social por escreveram canções nas quais as mulheres negras são chamadas de: Cadelas, pistoleiras, prostitutas e tantas outras pérolas do cancioneiro soteropolitano. Aliás, no lugar de convidar deveria-se enquadrá-los na lei racial.
O Grande Irmão Lula vetou (através dos seus parlamentares) do estatuto da igualdade racial às cotas para acesso de pessoas negras as universidades públicas, no dia da “festa” da aprovação do estatuto, O Grande Irmão Lula discursou, foi aplaudido de pé. Zumbi Lamenta, sua Serra da Barriga continua lutando sozinha.
Os negros e negras sobreviventes nas calçadas de Salvador, os que estão sendo exterminados nas ruas de Maceió, estão vivendo nas crakolândia morrem pelas armas policialesca do estado são negros reais e ainda estão no meio do oceano em um criminoso navio negreiro chamado indiferença.



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