Não ao amor (um pouco de prosa poética)

Tem dias que a única vontade é de ficar escondido em baixo dos cobertores e rezar para que o bem ou mal não no nos encontre, uma vontade louca de desligar o cérebro ou pelo menos reprogramá-lo para ficarmos de nós mesmos esquecidos.
Um estado zen para mim seria um estado sem consciência alguma do outro e de si mesmo. Apagar totalmente a possibilidade de interação com a vida sem deixar a própria vida da morte refém.
Se pudesse colecionaria em meu quarto aquelas nuvens as quais nossa imaginação desenha possíveis criaturas! Se eu pudesse seria em nuvem transformado toda vez que a dor estivesse em meu corpo.
Quero caminhar pela velha Europa, me perder nos caminhos sagrados dos Incas, revisitar minha ancestralidade indígena. Se pudesse faria de minha vida licença poética, não beijaria as bocas ásperas que beijei tão pouco amar quem por tolice ou solidão me entreguei.
Cavalos Marinhos me levam pelas alamedas medievais do que me fiz.
Queria ouvir neste instante um poema de Alberto Baraúna, ser do vidro o pó a cortar.
Senhor, amor, dos desgraçados tende piedade de mim. Senhor deus do perpétuo criar de tudo qual bom caminho traz para mim.
Minha vida prosaicamente triste vaga pelo umbral do amor asperamente sepultado por uma libélula de olhos azuis.

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