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Que falta me faz um Xodó


“Que falta eu sinto de um bem/ que falta me faz um Xodó/ mas como eu não tenho ninguém / eu levo a vida assim tão só/Eu sou quero um amor/ que acabe o meu sofrer/ um amor pra mim/ do meu jeito assim/ que alegre o meu viver”. Esses versos foram escritos por uma das grandes damas da canção nordestina: Anastácia. Versos que musicados por Dominguinhos ganharam o país.
Se Marinês é a voz que mais sintetiza o canto nordestino, Anastácia e a poética dessa voz, poética de um povo que diante a melancolia de um futuro incerto fez do presente o dia “H” da única possibilidade de vida.
Viver no agora é a sina de todo nordestino, sem, contudo perder de si a tal saudade lusitana ou o banzo que afogava em melancolia os corações africanos aqui transformados em escravos. O banzo dos escravos africanos era a forma mais perversa da saudade, porque era uma saudade que não podia ser revertida em reencontro com a distante e amada África.
Anastácia escreveu muitas canções nas quais o tema era a saudade do nordestino em São da sua África, ou seja, o nordeste, no entanto os nordestinos não morriam de saudade como os escravos de banzo, o nordeste estava ali perto em uma passagem de Ônibus da Itapemirim, claro com todas as implicações para se conseguir essa passagem.
Marinês fez sua opção pelo canto, canta os chamegos, alegria e desilusões do nordestino, sentimentos universais que na voz da saudosa cantora pernambucana ganharam a poeticidade dos versos de Anastácia quase sempre musicados magistralmente por Dominguinhos.
Anastácia gravou poucos discos, fez opção pela palavra, escreveu maravilhosas canções, imortalizadas na voz de inúmeros interpretes da música popular brasileira.
Se você um dia quiser conhecer as festas do nordeste venha aqui no mês de junho, quando chegar às cidades do interior procure um barracão coberto de palha em que estejam tocando um sanfoneiro, zabumbeiro, e um sujeito com um instrumento simples, mas que é o charme do arrasta pé: o triangulo.
Durante o mês de junho os santos juninos: São José, João, e Pedro (nunca entendi porque São Francisco não faz parte das festas juninas, um santo tão perto da ideia de terra, água e colheita dos nordestinos) fazem a alegria de todos.
O Nordeste fica menos quente, a cerveja dá lugar aos licores, as capitais são abandonadas e não se vê um trio elétrico se quer, amigos desaparecidos surgem em meio a fumaça das fogueiras, meninas ficam mais alegres embaladas por licores de jenipapo, paira no ar uma certa inocência matuta.
Anastácia captou como ninguém essa aurea mediocritas romantica dos nordestinos em verosos como: “traga-me um copo d’água tenho sedo/ e essa sede pode me matar/ minha garanta pede um pouco d’água/e os meus olhos pedem teu olhar/ a planta pede chuva quando quer brotar/o sol logo escureçe quando vai chover/ meu coração só pede o teu amor, se não me deres posso até morrer”. Essa canção chama-se “ Tenho sede”, vermos maravilhosos musicados por Dominguinhos é uma das canções mais regravadas do país.
Meu amado Luiz Gonzaga cantou o nordeste dos sertões. O nordeste sertanejo que nasci foi apresentado ao Brasil pelas músicas de Luiz Gonzaga e seus melhores parceiros Humberto Teixeira e Zé Dantas. Anastácia cantou o nordeste urbano, o nordeste moderno, mas não menos exlcudente que o nordeste sertanejo , o nordeste da capitais.
Quem não quer um Xodó? Um coraçãozinho para fazer par e por aí e vivendo? Imegine uma foguerinha, frio de junho e esse Xodó todo ali para você cantando, sendo gente na tua vida.
Escuto as canções de Anastácia e vou vivenciando essa paisagem, esses momentos,  me deixo seduzir pela suavidade de cada verso, as canções de Anastácia são assim, delicadamente bucólicas, românticas , feitas para dançar agaradinho, seja um baião ou forró é uma coisa tão “bão”

















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