Não medo do desconhecido

Não tenho medo do desconhecido, algo ou alguém desconhecido guarda em si todas as possibilidades de bem ou mal, mas guardo ressalva das coisas ou das pessoas conhecidas, porque há sempre a possibilidade de ter-me auto-enganado, de ter errado no excesso dos sorrisos e braços abertos, hoje prefiro viver mais em mim.
Nossos sentidos primam pelo prazer, por isso tendem mais fácil ao engano. Nossos sentidos gostam de emoções, abraços, prazeres e desconhecem a exata diferença do doce ou o amargo.
O desconhecido não vai me oferecer veneno em copo de Compari e se oferecer eu não beberia, mas o conhecido nos abre os braços enquanto em seu coração pode haver mil punhais apontados para nossas sinceras paixões, nossa solicitude com o maravilhoso mundo além de nós.
Ninguém é paraíso de ninguém, somos parceiros enquanto respeitamos e respeitam nossas fronteiras e interesses. Não, não estou sendo amargo, Sartre certa vez disse “o inferno são os outros”. Felina ironia do senhor Beauvoir.
Não advogo que devemos andar por aí com um desconfiometro ligado, nada disso, mas pelo menos sabermos o quanto os mortos são o que são, é dos vivos que toda alegria ou mau-caratismo tem força de ser em outro dor ou pureza. Tenho medo dos que oferecem flores em demasia e entendo os que esnobam um galanteio no Cine-Pornô da Barroquinha*
Ler nas mãos não vai salvar ninguém, o desconhecido se faz a todo o momento, só vale a pena manter uma amizade, um amor se esses ainda nos dizem alguma coisa, caso contrário é hora de riscar o nome da agenda, vale alguma coisa uma droga de emprego o qual só tem de atrativo o salário?
* Rua de comércio popular no Centro Histórico de Salvador
Escrevi este artigo ouvindo Like a Lover com Renato Russo em dueto virtual com Fernanda Takai se não ouviu ouça será um bom momento de paz e amor.

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