Tempo de sol

Uma das palavras mais bonitas, ao menos para mim, da língua portuguesa é saudade. Palavra única, segundo linguistas e gramáticos é intraduzível.
Sentir saudade é algo entre a melancolia e o desejo de estar pleno com alguém ou alguma coisa, saudade não é tristeza.
O geógrafo Milton Santos escreveu: “ficar prisioneiro do presente ou do passado é a melhor maneira para não fazer aquele passo adiante, sem o qual nenhum povo pode encontrar o futuro”. Aqui outra possível definição de saudade; a definição política.
Saudade como algo estanque, aprisionado no próprio presente, uma saudade que não se contenta com o buscar permanente de uma alegria presa ao passado. Por que imaginamos saudade sempre como algo que passou? Como lembranças de coisas leves vividas?
Em “A hora da estrela” Clarice Lispector nos fala de certa “saudade do futuro”. A saudade com a possibilidade de fuga tanto do passado quanto do presente.
É a ansiedade pelas coisas belas que podem acontecer ou simplesmente o reencontro com elas, mas que também fazem sofre antecipadamente nos lençóis da saudade, do que é só promessa diante o horror do presente sem sentido.
Quando ouço rádio à noite no meu quarto sozinho também sinto saudade de um passado nunca vivido por mim, uma ideia tola de que em algum lugar no qual nunca estive poderia ter sido feliz.
Uma palavra mil sentimentos e nenhuma tradução, para você meu saudosista leitor doce saudade e beijinhos com gosto do melhor de ontem com a saudade do agora sem nunca desistir do que ainda estar por vir.
ediney-santana@bol.com.br
Ps- Este texto foi escrito ao som de “ Hino ao Amor” versão para HYMNE À L'AMOUR de Edith Piaf, gravada por Altemar Dutra.

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