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Mostrando postagens de Fevereiro 11, 2010

Delongas de um “morto”

Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” Machado de Assis da vida há um personagem que é o meu sonho de consumo. O livro conta a história de Brás Cubas que depois de morto vira autor da própria biografia.
Uma vez morto Brás não tem mais com o que se preocupar, não há valores ou vícios, não precisa de mascaras, conta sua vida tão somente a partir das suas próprias e universais razões.
Brás Cubas é um felizardo, pode existir quando não mais é, pode amar, chorar, praguejar contra todos e tudo, pode até se vangloriar por nunca ter trabalhado e ao final do livro diz uma sentença aterradora “Não tive filhos, não transmitir a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”.
Em sua necro-biografia são os vivos seus brinquedos os quais ele vive sórdidas aventuras, vive com eles em grau superlativo toda mesquinhez humana possível. Brás Cubas se realiza neles através de toda sua podridão de defunto autor ou nas suas contradições “autor defunto”. Brás foi feliz por ter ressuscitado a si mesmo.
O ruim de morr…