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Mostrando postagens de Maio 17, 2010

No enterro

Domingo fui ao enterro de um conhecido fotógrafo e professor aqui da minha pequenina aldeia.
Da morte não se discute, ela chega e pronto; é o fim do caminho. O morto, tenho quase certeza, nem sabe que deixou de existir.
O falecido não tem como saber o quanto hoje não há rotinas, que agora para ele vale o não tempo, não há o delicioso friozinho de fim de tarde, cigarros solitários, cerveja no Bistrô do Miúdo, “bença” mãe, bate boca sem propósito no adro da Purificação.
O morto é tão somente um morto, singularmente morto, nada além disto. O resto é medo que isto seja mesmo assim: além do túmulo haja só o pó como coroamento de uma vida a qual para morte pouco importa se foi santa ou pecadora.
A morte só mata, não é um tratado sociológico, movimento cotista ou nazista a estabelecer metas de igualdades ou mesquinharias humanas.
Tenho pavor dos rituais que envolvem a morte: flores sobre o peito, caixão, rezas chatíssimas, velas, badalar de sinos, velório. Só essa palavra já deixa a morte mais fe…