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Mostrando postagens de Setembro 20, 2010

O lugar comum

Rachel de Queiroz nos conta na deliciosa crônica “Amor”, escrita em 1962: “O lugar comum é mesmo o refúgio universal que livra de pensar e dá a quem usa a impressão de que mergulha a colher na gamela da sabedoria coletiva e comunga das verdades eternas, o que, aliás, pode ser verdade”.
Maravilhosa alfinetada da Rachel nos discursivos do lugar comum, no império do lugar comum a nortear e facilitar vida de quem não quer ganhar tempo exercitando a maravilhosa máquina que é o cérebro, quem não quer ganhar tempo pensando geralmente se contenta em ser um quiabo, o problema é que quiabos falantes quase sempre têm um poder imenso de penetração e indução na vida de milhares de pessoas.
O lugar comum é a muleta do pensamento, rascunho frágil erguido sobre base do nada, mas que engana muita gente, é pose não o conteúdo, ou melhor, a troca do conteúdo pela forma. O Brasil é um país lugar comum, tão comum que o presidente se orgulha de nunca ter lido um livro e um bocado de petistas acadêmicos dizem…