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Mostrando postagens de Novembro 6, 2010

Como se nunca tivesse existido

Uma vizinha minha morreu sozinha em sua casa há algumas noites, a polícia foi chamada, seu corpo jogado na carroceria da viatura como se fosse um saco de batatas, ainda estava com a roupa de trabalho, trabalhava no mercado municipal em uma pequena barraca de roupas. Não esqueci aquela cena, o corpo jogado daquela maneira, disse a minha mãe que assim como foi com nossa vizinha um dia será conosco. O descaso com um corpo morto revela uma vida de desprestígio e exclusão social, uma vida resumida em lutas diárias pela sobrevivência. No romance “Clara dos Anjos” de Lima Barreto, o autor narra a história de Clara e sua família nos subúrbios do Rio de Janeiro, no fim da história Clara já cansada e sem muitas expectativa em relação ao futuro desabafa a sua mãe dizendo que “ não somos nada nesta vida” Um dia passei mal e fui internado as pressas na emergência do Hospital Geral do Estado da Bahia, HGE, às quatro horas da manhã muito doente, sentindo dores terríveis e sentado em uma cadeira no cor…