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O mundo de cada um

O que traz gosto e ao mesmo tempo dissabor a vida são suas contradições. Cada um de nós em seu próprio mundo a planejar invadir, compartilhar, destruir, construir tantos outros mundos, quando ao mesmo tempo ficamos vulneráveis a nós mesmos e há tantos outros mundos a nossa volta.Se o amor nos traz alegria também nos ensina a odiar, alguém escreveu que o amor nunca acaba, transformar-se em ódio. A palavra que nos faz existir é a mesma a nos fazer calar quando dela só reconhecemos humilhações ou talvez embarcamos neste falar para humilhar e nos tornamos também parte da futilização da vida.
Se amar não fosse um verbo teria razão mais amiga, amar poderia ser um pronome concretamente possível, o “eu” amar só existiria no encontro do “eu” que ri em braços abertos para nós dois. Como na canção de Marina você me abriria os braços e faríamos um país.
Sou um mundo o qual só ganha significado ao somar-se a outro mundo e nele tornar-se um novo universo. São nossas contradições a nos fazer existir, viver por viver e ao mesmo tempo andar em febre pensando no corpo de alguém, encontrar abrigo quando não muito um sorriso ou piscar de cílios diante o horror do silêncio no qual o tempo certamente acaba nos impondo.
O doce se confunde com o amargo, pequenas gotas de chuva acabam por atrair tempestades, o estar é também causa do não mais estar (parafraseado aqui Padre Antonio Viera), o que fere traz lições concretas para nesta re-significação da vida vivermos mais plenos em nós e menos esperança do outro.
Estranho lembrar o quanto a esperança ao mesmo tempo em que nos lembra possibilidade de um bem é também a presença real do mal, só tem esperança quem por algum motivo não está nem um pouco em paz, deus só ganha importância quando o lado mal da vida está impiedosamente a nos consumir.
Teu mundo, meu mundo perdidos entre tantas artérias, corredores imensos no qual podemos ouvir o eco da dor qual pelo grito tentamos chamar atenção, eco em sempre retorno. O mundo é impiedoso com quem sente dor, com quem fragilizado grita ao tempo por ajuda, no entanto sofrer calado e morrer mais rapidamente.
Nesta dualidade dor e alegria nascemos. Lágrimas que podem representar quase tudo, do prazer a nossa vontade de estarmos em sintonia com o nada, e isso é uma espécie de morte não exata, um abraço que pouco significa em uma manhã de sol no qual todos estão felizes e nós deitados com Augusto dos Anjos quando o tempo pede “Chuva, suor e cerveja”.
Ps- texto escrito ao som de “ Chuva, suor e cerveja” na voz de Gal Costa
Ps- A foto herética foi tirada por meu amigo professor João Rodrigues na cidade de Pedrão-Ba, em 23-01-2011. Acha que não fiquei tão mal assim como um Cristo de bastardo deus.













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