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Astrologia e emprego

Meu começo de 2011 não foi bom, janeiro amanheceu para mim com o fantasma do desemprego materializado. Começar um ano impa sem emprego me deu a sensação que tudo podia ainda ficar pior do que estava. Quando estou em crise não fico triste, pelo contrário, minhas angústias são exteriorizadas em alegria desmedida.
Das capitais nordestinas Salvador é a que tem o maior índice de desemprego e se a capital não anda bem o restante do estado vai atrás. Aproveitei o desemprego para enterra algumas coisas que ainda trazia comigo: sair do Partido Comunista, partido que entrei quando tinha dezessete anos, fiz uma limpa na minha agenda do celular, fui me livrando de um monte coisas inúteis.
Passei um fim de semana em Feira de Santana, lá encontrei um astrólogo, pedi para ele fazer meu mapa astral, mas não disse que era para mim, entreguei data e hora de nascimento, sexo... Enfim tudo que ele argumentou ser necessário para fazer o mapa, falei que era para um amigo, ele fez o mapa e não me cobrou nada, o que revelou as estrelas?
“É do signo de peixes com ascendente em capricórnio, é uma pessoa sensível, sente dificuldades em dizer não, se engana facilmente porque confia em demasia nas pessoas, tem poucos amigos, mas é extremamente popular, pouco pensa em si, não é feliz, tem poucas ambições, gosta de beber, gosta de ajudar, gosta de gente, inquieto deixa marcas em tudo que faz, em todas as pessoas que encontra”.
Bem, poderia ser pior, mas será que não dá para troca de signo não? li em algum lugar que os signos de quase todas as pessoas poderiam estar errados. Bem que o meu poderia ser um signo mais ligado ao sol, ao egoísmo, ambições desmentidas, o do gozar consigo mesmo, um signo do espelho como uma imagem amada de si mesma...
Foi pensando em tantos altos e baixos que quis ouvir estrelas, como no soneto “A Via Láctea” de Olavo Bilac também acredito que só quem ama, tem ouvidos para ouvir e entender estralas. Ouvir estrelas é menos perigoso, meu coração anda mais para “Pluft, o fantasminha” do que para São Jorge eternamente encantado com seu dragão que não sabemos se é o bem ou o mal.
Vou voltar a trabalhar no fim de fevereiro, espero que os fantasmas do passado me esqueçam , quero e desejo em minha pequena cidade ser tão anônimo quanto uma moeda de R$ 1,0. Se você está sem emprego, animo, às coisas mudam rapidamente.
http://edineysantana.zip.net/
ediney-santana@bol.com.br
Ps- Texto escrito ao som de “Send in the Clows” de Stephen Sondheim na voz de Renato Russo





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