Cantina da Serra e outros carnavais

Lá fora há muitos fantasmas, todos parecidos com os que um dia devorei em deliciosas luxarias, mas hoje são menos que cadáveres, são fantasmas.
Bate a minha porta um anjo de muitas cores e pouco coração, lanço confetes e serpentinas. Vivo minha própria alegria, hoje sei que para ser sempre carnaval no meu peito e nunca acordar em uma triste quarta de cinzas tudo que sou e devo ser é amor inconteste por mim mesmo, me desfaço em cristais de gelo na palma ácida do acaso, se o acaso por ser dor, há nele também a possibilidade da alegria.
O tempo do sonho é o tempo concreto de estarmos felizes, vai-se vivendo como se pode, os degraus são muitos, a sensibilidade um crime.
O acaso que sou tem dias de profunda alegria, me masturbo no descompromisso de outro que não eu fazer feliz, o tédio de estar em outro corpo nos revela a inúmeras possibilidades de sermos felizes sozinhos.
Escrevo livros, desejo o bem universal e a noite estou sozinho com meu profundo amor,
pouco me importa se tudo se vai neste consumismo emocional.
Sou veneno, tesão e sexo sem propósito, quando morrer quero do tempo a calma para nos dias felizes de minha filha viver.
Não gosto do mar, me escondo da luz ao sol, sou comunista sozinho com minha bandeirinha de improbabilidades.
Meninas estão famintas, mas só há corpos sujos, quem me chama de “meu amor” não sabe de mim... Não nasci para amor, sou um favelado sentimental.
Lá em casa tenho meu quintal e a beleza da vida na graminha verde que minhas gatinhas brincam inocentes.
Tenho medo da morte que chega de repente, viver é preciso, mas morrer não deveria ser nada além de natural.
Sou medíocre como os passos sem razão de um errante senhor e seu cárcere no qual todos meus personagens dormem no silêncio das pedras.
Ando em busca de paz, ando em busca de beleza e justiça, tudo que já fiz é tempo de coisa alguma. Há muito vivo em círculos no tempo a me desfazer todos os dias.
A morte dos pobres sempre é ridícula, se morre por coisas que do outro lado da rua não existem mais, pobres escrevem em carvão a dor sentida em escala menor de sensibilidades.
Deus joga com a sorte de quem não sabe sorri, há poucos dentes por aqui, uma espécie de tortura se vai quando me recuso a beija quem mais me alegra as noites... Festa dos filhos do vento, com ele vem e com ele se vai , tenho muita alegria em viver você.
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ediney-santana@bol.com.br
Ps- Texto escrito ao som de “Você ainda pode sonhar”, dos Beatles, versão de Raulzito e os Panteras.













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