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Não, obrigado!!!!

A internet tem me ajudado a sair do exílio aqui na Bahia, exílio de raros amigos, quase sem amores ou paixões, exílio cultural. Encontrar escritores, artistas de todos os cantos, gente interessante que tem sempre algo a dizer, a internet nos possibilita com um simples toque deletar os idiotas de plantão, os chatos nostálgicos de si mesmos, os caretas, medíocres e senhores gênios reféns de suas imprescindíveis vulgaridades.
Todos os dias recebo vários e-mails inúteis: correntes de auto- ajuda, como ficar rico em 24h, aumente seu pênis e receba grátis uma caixa de Viagra. O Importante é que diferente do mundo “real” com o toque mando tudo isso para lixeira do esquecimento, no mundo “real” há de se negociar em gentilezas o não a isso tudo.
Não quero Viagra porra!!!!! Nem aumentar meu pênis. Quero é gente que me dê tesão, foda-se correntes de auto- ajuda, quero é psicólogo no posto municipal de saúde antes que a noite caia como um receita psicografada por um psiquiatra do além.
No yutub, outra maravilha desses tempos, os vídeos que fazem mais sucesso são feitos por idiotas para idiotizar gente que se desconhece como tal. Prefiro ficar triste a fazer pacto com esse humorzinho branco sem possibilidade de cores adicionais
O mau gosto também é um tipo de violência tão perigosa quanto traficantes imunes da justiça em condomínios de luxo, mau gosto dá câncer na alma e poder os assassinos de nossa carne sul-americana. America Latina que ainda consome vorazmente o lixo produzido pelo mundo.
Não acho graça alguma na burrice, na mediocridade. Foda-se o lixo cultural patrocinado pelo governo, o lixo pintado pelo verniz do sub-requinte que querem nos fazer crer ser diferente do chorume estúpido e violento das ganges de rua, quando todos são irmãos unidos para a celebração das nossas desgraças.
Gosto de me divertir, sair por aí sozinho ou com gente que me interessa, gosto de coisas alegres, coisas do riso, mas dane-se essa artezinha de merda, atores de talento atrofiado representando sempre os mesmos papéis, cantores e cantoras deslumbrados com o supérfluo talento que cada um degenera em ridículas canções, romantismo batido e piegas.
Jornalistas especialistas em tudo pavimentam a estrada para tudo sempre ser repensado, requentado, reafirmado na superficialidade que seus patrões querem, negocia-se paixões, cria-se memórias afetivas.
Na Bahia, apesar da miséria ser a grande rainha de um carnaval de horrores, apesar de ser o terceiro estado mais violento do nordeste, os chamados artistas da “axé music” (sic) cantam um lugar mágico no qual “alegria, alegria é um estado que chamamos Bahia”*, quando não passam de sugadores de um cultura nascida nas senzalas e embranquecida por famigerados produtores da sub-cultura industrializada. Na Bahia dos artistas cegos para qualquer questão social a qual não seja um incentivozinho financeiro do governo, inúmeras senzalas continuam fechadas...
Ser complacente com essa burrice artificial criada pela burro-cracia estatal é caminho para continuar-se sonhando, planejando, tentando e todos os gerúndios possíveis e ao fim tornar-se igual um bur-crata de espírito.
Dane-se tudo isso. Tentam censurar politicamente à internet e torná-la grande geradora de idiotas, idiotizar suas possibilidades, sobretudo patrocinar a burrice. Não sou politicamente correto, mas não quero ser politicamente burro.
Não há acertos possíveis quando o erro é uma estratégia política de dominação. Portanto: não!!! Muito obrigado, deixe-me ser infeliz, não quero Viagra, ir ao teatro assistir pela milésima vez uma peça a qual retrata as empregadas domésticas como seres incapazes de ler uma receita de bolo... Há masturbações melhores, eu sei disso. Corpos toscos esticados em uma cama cheia de flores... Flores em arame farpado brotam do sorriso amarelo das civilizações.
ediney-santana@hotmail.com
http://edineysantana.zip.net/
Ps- texto escrito ao som de Elomar, música: “ Peão de Amarração”
* Trecho da música de Armandinho Macedo















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Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
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