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Ridículo

Ridículo é sexo sem tesão, informação sem conhecimento, conhecimento sem sabedoria, é silenciar quando tudo é propício a ação, ridículo é viver para o outro e não com o outro.
Ridículo é a tentativa de singularizar nossas emoções quando há um arco-íris a festejar para nós todas possibilidades que temos de rebeldia contra o modelo medíocre de sociedade que tentam nos engessar corações.
Ridículo é dizer: “eu te amo!” quando não há mais ninguém para ouvir, quando se é apenas ego a jazer sobre os escombros de uma vida que nunca existiu.
Ridículo é viver no passado ou apegado a uma vida que já não faz sentido enquanto o presente nos chama para esse viver do agora, mas e se insiste em agonizar no passado que mesmo tenha sido bem ou mal é passado e nada agora pode nos ajudar a resolver nossas vidas, vida pede ação, ação é tempo presente quem se nega a isso é sofre de alguma doença, o que causa dor deve ter como sepultura o passado, nada me causa mais felicidade que apagar número de telefone da minha agente de gente sacana que bate a nossa porta sempre para pedir e nunca oferecer nem um sorriso.
Ridículo é amar desesperadamente a quem se foi enquanto um novo momento de alegria bate a porta, ridículo é não amar a si mesmo e viver refém da aspereza de um coração que nos quer litígio entre o real amor e a paisagem nunca concreta a nossa frente.
Ridículo é depois de vivermos trezentos anos em uma senzala nos permitirmos livremente a sermos novamente escravos nos subjugando aos novos capitães do mato, ridículo é saber que alguns desses capitães do mato até bem pouco tempo estavam trancados nas senzalas como a gente e agora com alegria e perversidade erguem os chicotes dos seus senhores sobre as nossas costas.
Ridículo é pensar: viver como se fosse deuses e deusas quando todos os dias os pés de barro lança ao chão nossa “santa” prepotência, anular-se quando a única beleza que temos é no mundo sermos marcas individuais, cada um como infinita energia, a morte que um dia nos fará renascer grama, jardim e flor, ou nossos varrer para o lixo do esquecimento.
Ridículo é viver natimorto quando lá fora para além do tempo amargamente nosso a vida segue indiferente os nossos dias sem luz, ridículo é esse vandalismo sentimental o qual nos enforca a possibilidade de amor.
Ridículo é nutrir esperanças, quando esperanças não são além de tragédias batendo em nossas portas, a esperança só aparece em momento que nossas delicadas vidas se enfraquecem e pedem morte.
Ridículo é o profundo amor por coisas inservíveis, por gente que tem como coração uma caixa de Pandora cheia de venenos, ridículo é não ter como causa universal a salvação da própria vida, somos a síntese de todo luxo e lixo da natureza.
Ridículo é se achar imune a atos ridículos, somos os que riam diante a noite plena, os que se ajoelham, chora por coisa alguma, se vestem na tentativa de esconder o próprio corpo quando a grande vergonha não está visível a olhar algum.
Não estamos além do bem ou mal, somos ridiculamente o bem e o mal, o gelo e o calor, o medo e o coração, o anjo a nos querer bem, o demônio a nos aquecer o juízo em taças de vinho cálido de maldades, somos a síntese luxuosa de uma natureza a ri das nossas almas.
Essa vaidade tosca, vazia, verniz para esconder a incompetência, essa casca de felicidade, mãos sujas de sangue, viver e nunca existir, tudo isso somado ao vazio existencial criou essa nossa sociedade violenta, sem rumo, sem razões.
As misérias não estão mais na periferia, como os cretinos sempre gostavam de dizer, quanto mais à sociedade for essa coisa horrível todo canto será lugar para a festa da dor. Enfim chegamos ao socialismo, o socialismo do mal, isso porque não se vive bem em uma sociedade ilhada no mais profundo desprezo pela vida, quem despreza a vida alheia dia menos dia vai ouvir bater em sua porta o mesmo desprezo pela sua, neste momento pouco importa em quem você votou, amou, seu partido ou a cor da sua calcinha, como apenas “coisa” que é, no outro dia outra criatura assumirá seu lugar, a vida segue indiferente ao que somos, fomos ou seremos.

http://edineysantana2.blogspot.com
Ps- Texto escrito ao som de “ Canção” com Fellini.








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