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Educar é compartilhar, nenhum professor é síntese de conhecimento algum,nenhum professor é chegada, somos todos pontes. Torna-se professor quem aprende ao ensinar, e neste aprender fortalece a si mesmo enquanto construtor da sua própria história. O professor é o ser de uma história em permanente construção, como a sua também é, se essa história finda, finda sua própria aventura pela terra.
Nenhum aluno é livro em branca página, ninguém é vazio de substância humana, já nascemos com as marcas culturais de tantas outras pessoas, cada aluno em sala de aula é um universo de cultura. Consigo trazem as vozes dos seus antepassados, a história da humanidade está em cada sorriso, gestos de desconfiança, olhar terno ou raivoso.
Todos nós somos a síntese do bem e do mal, não há pureza única, como não há escuridão soberana, nos aceitarmos humanos e falíveis, negarmos a ideia de santidade é um passo para uma nova reorganização social.
Nada mais inaceitável de que a velha ideia na qual somos divididos entre mocinhos e bandidos, a história nos prova que em determinados momentos muitas pessoas agem como heróis em outros tiranos, por isso a escola não é pura ou impura é tão somente social, sofre e reflete em si todos os dramas da sociedade.
Compartilhando saberes vamos construindo conhecimento e conhecimento é tudo que não pode ser aprisionado ou tornado propriedade de pessoa alguma. Conhecimento é da humanidade, cercear o direito ao conhecimento é pavimentar o caminho para que tiranos controlem corações e mentes com seus mecanismos criminosos de poder.
Sou professor-tutor da Unifacs (Universidade Salvador), trabalho em uma única turma de Letras, quase todos os alunos são professores e professoras. Nesta turma há inúmeras experiências em vida profissional, experiências afetivas, dolorosas e de dedicação ao magistério do ensino fundamental e médio público, indiscutivelmente os mais marginalizados de toda carreira docente.
Quem atua no ensino fundamental e médio público ganha os piores salários, tem condições trabalho degradantes, são subordinados, com algumas exceções, a pessoas incompetentes e de espírito bur-rocratizado, sofrem pressões políticas e mesmo assim dedicam-se aos seus alunos com paixão e entusiasmo.
Engana-se quem pensa que é o MEC, governos estaduais ou municipais quem garante o ensino aprendizado nas escolas públicas, o sistema garante mal e parcamente a estrutura física e salários cretinos.
Quem garante mesmo o ensino e aprendizado são os professores (as) que digitam e imprime atividades de seus alunos em casa, pagam para ter acesso à internet, chegam a trabalhar mais de sessenta horas semanais para garantir uma vida com menos desconforto, vêem seus sindicatos servindo a partidos políticos e não as causas trabalhistas.
Nas salas de aula hoje falta afetividade e não se pode educar sem afetividade. O sistema diretivo da educação pública não é pedagógico é político e se é político a única qualidade que lhe interessa na educação são os números e índices. O sistema é viciado em números, porcentagens e índices a vida afetiva de alunos e professores não lhe interessa.
Tenho em meus alunos fonte de inspiração, aprendendo com cada um, torno meu mundo mais universal, menos áspero, mais consciente da alegria que quero para mim enquanto professor. Educar para compartilhar, compartilhar para crescer, crescer para dividir oportunidades, cada um com seu coração, falando com sua voz para esse grande universo que chamamos natureza.
Educar é educar-se constantemente, reavaliar-se em cada instante, saber-se importante enquanto par com outro, o outro nos faz existir, quem vive só para si se exila no próprio existir, talvez isso seja a síntese desse egoísmo doente que lentamente vai matando a todos nós.
Entrar em uma sala de aula é sempre um desafio, saber que ali é o encontro de tantas emoções, tantas visões de mundos ou interesses e o professor é o mediador, é sim um desafio tanto quanto indefinido, porque somos emoções e a racionalidade uma utopia grega nunca atingida, mas inegavelmente ainda é sedutor ser professor.
ediney-santana@hotmail.com
http://edineysantana.zip.net/
Artigo escrito ao de Susana Baca com a canção “De Los Amores”
Ps- Na foto eu com minha turma na Unificas




















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