indelével solidão


Viver para si mesmo é um não viver. Quem andar pelas ruas e não ver nada a sua frente é um deserto humano, uma espécie triste de caricatura do que um dia foi gente.
O estar vivo é o estar em constante movimento na própria vida e na vida de todos que cruzam nosso caminho.
Se somos apenas marcas de consumo então não somos nada. Não vivemos, se beijamos e não sentimos emoção alguma não passamos de tristes figuras, ervilhas enlatadas para o consumo barato das nossas próprias insanidades emocionais.
Recuso-me ao vazio das relações, recuso-me a ser do frio a falta de cobertor, do aperto de mão o calor fingindo.
É mais que preciso cuidar dos direitos humanos e não nos retalharmos em gays, heteros, evangélicos, negos ou judeus e palestinos. A Única unidade possível e nos respeitarmos como pessoas, pessoas em tempo cidadão integral, fora disso é promiscuidade humana.
Nossa dor mais antiga é a dor que já nasce envelhecida, mas nunca morre, a dor da luta pelo cárcere de tudo que não nos corteja em rituais de servidão.
Assumo todas minhas contradições, sou mais pecado que santidades, posto isso me faz alegre o erro que não é auto-engano.
Tornamos o mundo refém das coisas visíveis, amamos tudo que nos parece belo sobre uma triste ótica de negação a diversidade.
Eu só tenho razão de ser porque você existe, sem você para quem viveria? Para minha própria sombra? Para a genialidade doente que só minha estupidez percebe? Só há razão se somos parte do todo que cada um representa na natureza.
Sentir medo de gente é um atestado de falência da nossa raça, me diz o quanto nossa raça se auto- desprezou e negou a si mesma ao nadar no pântano incivilizado da covardia sentimental.
Tenho andado só em demasia, meus melhores amigos não vivem mais em minha cidade, acordo todos os dias com a certeza de ter como companhia indelével a solidão, mas me recuso a me acostumar só em mim, me recuso negar a você o convite de juntos construirmos um mundo possível e alternativo a essa sombra que aprendemos a chamar de humanidade.
ediney-santana@hotmial.com
http://edineysantana.zip.net/
Ps- Escrito ao som de Anna Calvi, Blackout



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