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“Paloma Triste”

Fiz a livre escolha para ser: eu + você = nós, o que não implica que você tenha que fazer parte desta equação,alguns amores são vividos sozinhos (não se impõe sentimento algum, nem mesmo o amor) outros são equalizados por encontros matematicamente improváveis, mas o amor é o único sentimento que podemos viver  no silêncio dos nossos corações,não precisa se materializar para existir, é triste, mas é verdade, não por acaso recorremos a Platão e chamamos isso de amor platônico  . Sei o quanto à inanição emocional e sentimento de posse tão em voga nas esquinas desses momentos tentam nos equalizar em: eu+ eu = eu dominando você.
Mergulhei esses dias em “Fale com Ela”, de Pedro Almodóvar. Um filme sobre o encontro de vidas, desencontros pessoais, mistérios, silêncio, sensualidade mórbida e solidariedade.
“Fale com Ela” é: nós + nós = todo mundo. Vidas que se encontram quando tudo parece: eu + você = fim.
Quais são as suas escolhas? Talvez seja: você + você = você ou nós + nós = mundo. Ser uma mulher linda e de repente sofrer um acidente, dormir em um coma que talvez  irreversível. Acordar sentir um dor na barriga ir ao médico, descobrir que há um devastador câncer e no próximo natal independente dos seus vinte e pouco anos estará morto, a natureza é indiferente as nossas dores, por isso inventamos Deus para aliviá-las.
A solidão das “alicias” em seus comas, casamentos em coma, empregos velórios e sexo encomendado... Devoção a si mesmo. Esse "si" mesmo que os olhos da natureza é tudo indiferentemente comum.
Chuva, frio, si.lên.cio, cerveja solitária ...Coma! A dor de um como prazer do outro, a ferrugem nas almas, a palavra que nunca será lida, o amor que nunca vai chegar, ao abrigo do silêncio a vida que vegeta.
Fico nesta tarde 14 de maio de 2011, fria e desolada com eu + você = Pedro Almodóvar. Alguém canta na vitrola, a crônica não se impões, apenas se vive, vive nas graças de um delicado amor sem rosto e por isso mesmo tem em si todas as alegrias imaginadas nesta tarde de sol, noites ardentes e profundamente solitárias.
Ps- Crônica escrita ao som de “Cambodia”  de e com Joan Baez






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