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Um dia com você mesmo

Quanto do seu tempo é dedicado a você mesmo? Quase sempre estamos a abraçar ou defender bandeiras que não são nossas e o nosso tempo segue a revelia das nossas inquietações que talvez não sejam tão nossas assim.
Quem cuida das nossas feridas? Das nossas causas pessoais?  Quantas vezes nos maquiamos para alegria alheia fazer? E quantas vezes não passamos de palhaços tristes no picadeiro da solidão?
Durante uma semana quanto vivemos para nós? Pouco ou nenhum tempo nos dedicamos, essa é uma triste e ácida verdade. Não sejamos tolos, devemos sim fazer o bem, sobretudo a nós mesmos, faça o bem olhando a quem, nem tudo que é humano merece respeito.
Viver dias pessoais, abraçar com carinho a própria vida é uma reação possível aos delinquentes narcisismos que só querem sugar nossa energia. Vivo dias de amor por mim mesmo, o bem por mim me interessa mais que o bem para humanidade.
Olhe ao seu redor quanto de você é respeitado pelo tempo que você é e não pelo tempo que você representa? Uma vida tão breve quanto a nossa nos diz o quanto devemos ser seletistas em demasia com as emoções sentidas e afetos, em demasia só o abraço aconchegante que devemos nos ter a todo o momento.
É breve todos os risos e dores, mas dores são intensas e risos tendem a brevidades mais exatas, por isso mesmo há de guardarmos o (pré) conceito que é salvação, alegria, encontros sinceros. A Humanidade não merece nossas afeições em cego amor, a humanidade vive da exploração das nossas misérias.
Não há ceticismo ou niilismo tolo no que escrevo, apenas vejo o quanto somos nossas instituições e não nossos corações aos olhares cretinos dos facínoras de plantão. Adoeça e veja quantos dos seus amigos de botecos, colegas de emprego vão ser teus amigos como foram os de Jó com ele...
Ps- Escrito ao som maravilhoso de Ana Maria e Matias Moreno





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