Viciados em sonhos

Há pessoas que parecem viciadas em sonhos, vivem o estranho prazer de nunca realizar nada. Suas vidas só acontecem em teorias que por si só justificam o gasto de energia e emprenho pessoal para se chegar a lugar algum.
Sentadas a beira do caminho teorizam mil acontecimentos, tornam-se grandes arquitetos de coisas que nunca existirão no mundo prático.
O viciado em sonho não é um idealista ou um espírito inquieto, nada disso, o viciado em sonhos é uma reticência em si mesmo.
Em sua preguiça emocional o viciado em sonho recolhe-se a um mundo que por ser sempre sonho sentem-se senhor absoluto, algo que o mundo real o nega ou ele não tem vontade-competência concreta em conquistar.
Sonhar além de bom é essencial, mas se tornar estanque de uma vida repleta de hiper-realidade é perigoso. Mirabolantes projetos que nascem- morrem todos os dias ou se revelaram inúteis até para um sonhador mor, já que ele sente urgência em sempre sonhar, sonhos S.A.
Há um abismo entre o que há, o que pode existir e o que só tem sentido justamente por não existe e não tem qualquer possibilidade de existir nas inquietações domesticáveis do sonhador compulsivo.
Nada o apavora mais que realizar algo, tornar um sonho real, a realidade para o sonhador compulsivo é simplesmente insuportável.
Neste xadrez do que há e não há, o viciado em sonhos, pula com cuidado de casa em casa para não cair no mundo real-concreto, busca sempre adiar o fim do jogo, analisar estratégias e nunca jogar é sua realização de ser.
Em vez de ficar cantado eternamente: “sonho meu/ sonho meu/ vai buscar quem mora longe” (uma belíssima canção de Dona Ivone Lara) seria ótimo correr atrás, buscar o que mora longe, seja uma pessoa, um emprego ou comer um delicioso acarajé na Ana.
Mas as esquisitices da mente, aí só Dr. Charcot ou Freddy Krueger para explicar... Sonhar é bom, ando sonhando muito, mas busco caminhos para que alguns se realizem rapidinho antes que acorde do sonho da vida e adeus Ney.
ediney-santana@hotmail.com
http://edineysantana.zip.net/
Ps- Artigo escrito ao som de Guatanamera, de José Martí, comigo mesmo cantando.













Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys