Amores com Hieronymus Bosch

Canibais que trago em mim são fragmentos de antigos amores insepultos ao sol poente. Há no calor de vossa língua mil formigas enamoradas do meu sangue mel em dores.
Tudo que te ofereço é desassossego: amor. Palpitações e suores inundarão teu coração em desassossego.
Se "chama" o amor que da cama vossa me terás em tortura, vampirizo gota a gota o sêmen que abortará o de mim renascido no submundo dos teus medos. 
 Com teus cabelos farei papel carbono ao céu negro copiar o luar destilados dos meus olhos.
Mergulho no vosso corpo quente. Bebo em vinho a delícia do teu umbigo untado pela seiva da minha alegria canibal.
Em que deitas a cama fria dos encontros? Ferve ao horizonte duas mil víboras, foram nossos sonhos mais que estúpidos. De te fiz ninho para minhas inquietações, fiquei grávido de escorpiões siameses, do amor que tu me deste  vidro o fiz beber. Sopro ao vento do amor melhor por ti pólen livre quando em por nós prisão e suicídio.
Mas você é tão linda, tem meu sexo tatuado em teu corpo, a flor mais bonita da minha rua... Minha alma dragão da lua bebe do teu sangue e colhe urtigas nas estrelas. Quem me dera o soluço, um abraço ao menos infeliz no lugar desse silêncio absoluto.
Vago a contar conchinhas quando do mar me invade todo o sol. Nada é por maldade, mas o mal é sempre mais gostoso quando nos outros faz febre nunca amor. Devoro em pequenas alegrias toda vaga beleza desses risos em clara dormência. Disseram: você tem alma e uma luz brilha no olhar... Mergulho no éter, só o éter salva, o éter é o que sempre foi, o que nunca existiu. O éter é o que fez da morte anjinho humilhado.
Nosso amor é canção que sempre desafina. Não! Eu desafino, translucidamente desafino em cada por do sol congelado em meu orgasmo constante.
Não tenho medo da perda, mas me apavoram meias conquistas. Abrir minha barriga a golpes de canivetes: areia, sal, meus incensos indianos, uma cobra de três cabeças, libélulas sertanejas a dizer “amo você como a filmes de Almodóvar” e um padre exorcizando deus de mim.
Pausa para o café: ácido e baunilha, não esquecer uma gota de lágrima, só uma, mas que seja sincera como porcos em um chiqueiro.
Hoje fui à praia, chuvia... Dois caranguejos carregam cadáveres de baleias, eram pobres e infelizes baleias, havia marcas de dentes humanos, uma delas me lembrou um anjinho Barroco e suas asas de nunca céu.
Veio vento forte, ondas enormes, tudo cantava para mim, então entendi meu latifúndio naquele mar, um Severino a morrer afogado entre canções e águas vivas.
Acordei, sentei na cama, plantei ao concreto d’ alma três ervas cidreiras e um pedido: Rosas brancas, biscoitos e um dia sem dores de estômago.
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ediney-santana@hotmail.com
 Ps- A obra que ilustra este texto é de Hieronymus Bosch. Um alguém que humildemente eu gostaria de ser.
 Ps- Escrito ao som de "Paixão"  com Kleiton & Kledir








































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