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As lembranças

Augusto Frederico Schmidt foi o responsável por publicar inéditos escritores como Jorge Amado, Gilberto Freyre, Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos. Pelos nomes já sabemos a importância do “Gordinho Sinistro”, como era chamado, para a renovação da literatura brasileira. No tempo em que havia esquerda e direita Schmidt publicara escritores de esquerda embora ele fosse de direita até a medula.
Por outro lado os nossos geniais escritores esquerdistas não abriram mão da ajuda capitalista do “Gordinho Sinistro” e  nebulosas relações com o poder para publicarem suas obras, ainda bem.
Perto de morrer Schmidt disse, uma frase eternizada pela sua beleza e desprendimento com sua vida grandiosa e de sucesso: “Quem contará as pequenas histórias”. Não foi uma pergunta, era pura lamentação.
Estava preocupado nosso magistral editor e poeta de versos prosaicos com a história a margem da oficialidade, pequenas coisas do cotidiano, seus bilhetes trocados nas eternas noitadas, dos seus livros com dedicatória, fotografias de viagem, fotos que guardavam histórias de uma vida não registrada pelo aparente eterno glamour que foi sua existência.
Quais são suas pequenas histórias? Seus momentos de lirismo pessoal? Os dias inesquecíveis guardados em lembranças no fundo de um velho baú? Minhas pequenas lembranças estão guardadas no delicado das minhas lembranças e em uma mala cheia de recordações que só tem sentido para mim e talvez para quem as compartilharam comigo.
Na crônica “Herança de papel” publicada no livro Trem-Bala de Martha Medeiros, a autora nos diz que: “Lembranças não se herdam, vão para o túmulo com a gente”. Pequenas histórias guardadas em muitos casos no cantinho mais doce das nossas recordações, algo que só de lembrarmos faz dos nossos olhos arco-íris em cores vivas e afoga nosso espírito na paz delicada de uma confortável nostalgia.
Pequenas histórias que nasceram e talvez desapareçam conosco também, pequenas emoções cotidianas repletas de simbolismos: um papel de bombom guardado a contar a história de um emocionante encontro, uma rua a guardar para sempre lembranças do primeiro beijo... As lembranças.
Lembrar, guardar histórias não é fechar-se ao momento presente, é olhar para trás e sabermos o quanto vivemos e amamos. Pessoas comuns, como eu, talvez nunca tenham suas vidas contadas em filmes ou biografias, pessoas simples vivem e só. Viver é o só que é tudo, fazer parte do coletivo, sabermos ao menos que nas nossas malas e diários somos autores de uma individualidade que chamamos de vida, nossas vidas repletas de pequenas histórias que quem sabe um dia serão contadas.
Ps- sem trilha sonora

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