Desumanizar

Em uma cena do filme 1984, baseado no romance homônimo de George Orwello o personagem principal diz: “o importante não é manter-se vivo, mas humano”.
Quantos conceitos inventamos para palavra “humano”, quantos vernizes jogamos sobre a vida todos na tentativa de artificializá-la de acordo como nossos interesses políticos? A humanidade é uma tragédia sociológica, uma aberração que nos tirou do reino animal e nos colocou no reino da hipocrisia e totalitarismos sentimental de poder e egoísmo.
A vida é natural a humanidade não. Inventamos a humanidade e com ela saímos do reino animal e nos artificializamos em bastardos sorrisos. Criamos leis, afetos e classes sociais, a vida é união, a humanidade é casta.
O personagem de 1984 ao dizer que: “o importante não é manter-se vivo, mas humano” reafirma suas crenças na humanidade e atribui à vida um estado primitivo no qual o afeto não se realiza. Acredito na vida animal, mas não tenho esperanças nesta humanidade pasteurizada de sorrisos propaganda de creme dental e amores desenhados em coraçãozinhos vermelhos, tudo isso é masturbação a seco sem gozo ou tesão.
Sem humanidade seriamos mais leais uns com os outros, mataríamos apenas para nos defendermos ou nos alimentarmos, viveríamos com e para a natureza e não teríamos essa relação com ela predadora e imoral baseada na nossa estúpida vocação suicida.
A humanidade nos embruteceu, nos tornou criaturas horrorosas, predadoras e insensatas. Se antes éramos animais parte da totalidade da natureza agora a humanidade nos divide em raças, minha raça é a animal, estou me lixando para causa negra, branca, gay, feminista, religiosa ou dos maconheiros... Minha causa é a defesa da nossa animalidade, o sentido original de estarmos aqui.  O resto é tudo invencionice sociológica, acreditar que somos humanos é uma estratégia par nos tornamos dóceis e servis quando deveríamos pregar a desobediência civil e a queda de todo sistema humano diretivo do país que nos trata como sub-raças. Sub-raça é uma divisão criada pela humanidade para nos colar sempre a baixo dos seus agentes controladores.
Humanos fabricam armas, animais não, humanos acumulam riquezas roubadas, animais não, humanos riem e depois oferecem copos de veneno, animais não, humanos fingem amor e casam por interesses, animais são anarquistas, animais vivem em paz com a natureza, humanos destroem a natureza, humanos oferecem as próprias fezes aos seus, animais enterram suas fezes.
A humanidade nunca foi humana, esconde-se atrás de um discurso de mundo civilizado e brandura, mas tem nos tornados brutais e cruéis. Sou mais animal que humano, exercito cada vez mais minha animalidade.
Esquecer a artificial ideia de humanidade, viver plenamente nosso coração selvagem, sem medo de nos reconhecermos animais. Animais não pagam pistoleiros para matar pessoas, animais não criam quadrilha políticas para roubar a merenda escolar, animais não mentem, não estupram.
A humanidade é nazista, comunista, cristã, evangélica, trabalhista, espiritualistas, ditadora, democrática, esquerdista, direitista, budista, judaica, islâmica, capitalista, socialista, individualistas, negra, criminosa, totalitária, branca, grosseira, mesquinha, machista, feminista, puritana, conservadora, liberal etc... Tudo isso são eufemismos e adjetivos para sempre manter uns em cativeiro e outros sempre na casa grande, uns servos e outros senhores.
Quando não havia humanidade éramos todos livres, vivíamos para o necessário da vida, e o necessário da vida é vivermos e estarmos aqui... Mas vêm os furacões, as pragas, os terremotos, as enchentes, as secas, o frio... A natureza ri e tem pena de nós e a todo o momento nos faz cairmos de joelhos sobre os escombros da nossa falida humanidade.

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