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Encontro com Ana Cristina Cesar

Minhas flores são virtuais, não há canteiros ao pôr do sol metalizado desses meus dias irreais. Tanto amor e nenhuma possível paixão. Estou só e decadente, marginalmente decadente, no desespero das horas naufrago em minhas nuvens.
Há pedaços de ideologia, medo, sensações perdidas e uma velha bandeira repleta de história nascidas para o aborto.
Meu cardápio de equívocos é servido a molho frio. Há o frio e corações amargos ao amanhecer do ri que é só dor em lençóis de circo. Amo o que não existe, idealizo minhas dores, vivo amores distantes enquanto vou envelhecendo ao sabor do tempo. A morte não existe, a morte não encerra nada, ela é e pronto.
Vou ao cemitério, não ao cemitério de tudo que é morto, o cemitério que vou está guardado nas minhas vagas paisagens ciganas.
Ando sobre cacos de vidro, fumo nuvens ácidas e beijo orixás bêbados. Em minha companhia tudo que invisível floresce.
Sujo pelo meu próprio gozo arame farpado me delicio no ócio de não ter para além de mim prazer.
Há uma 2ª guerra mundial em minha medula, tudo é árido, as tropas inimigas avançam, meu sangue bate em retirada, o olho esquerdo se rende, fico sentado à beira do caminho que leva a lugar algum.
Momento auto-ajuda: que o dia seja lindo, Deus esta contigo. Só o amor constrói, quem não abre o coração ao amor não pode ser feliz, amar é o mais importante, o universo inteiro conspira ao teu favor.
Sim, da para ganhar na Mega Sena 60 vezes acumulada? É melhor ser deprimido rico que fodido.
Minha mãe traz chá? Estou com febre! Tenho medo do dia a nascer, pode trazer dores...  Fragilizo-me na luta contra coisas invisíveis.
Preciso de emprego, me sinto inútil e quando se fica inútil a morte parece sorri de nós ou para nós.
Carta ao amor que vai chegar: quero alguém prá namora, alguém que me ligue na madrugada e diga: sou teu cantinho no mundo e trouxe os opostos em harmonia para alegrar você. Quero alguém que fique comigo quando for meu silêncio me abrace e diga: sou tua fortaleza, eu te amo.
De volta para casa, trago mel, em silêncio ofereço a minha deusa encantada, mel e flores do meu coração jardim, peço paz para mim e alegria sincera para os meus, o altar é florido, calmo... Estou em paz, é inverno na Bahia, tudo me leva ao meu amor invisível e delicado como dores infiéis.







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"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
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Carta para daqui a 50 anos

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