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Meus heróis

Não tinha super poderes, não vivia salvando o mundo de terríveis monstros intergalácticos, não tinha amigos poderosos ou carros que voavam como aviões. Vivia pacatamente em um sítio pelo interior desse nosso Brasil de tantos povos e falares.
Meu super- herói que reinava absoluto na minha infância era o Chico Bento. Criação de Mauricio de Souza, Chico Bento de certa maneira representa aquilo que um dia fui, uma criança nascida em um desses brasis, feliz em seu lugarzinho de país, com sua língua particular, sua mãe, pai e vez por outra uma Rosinha.
Tinha todas revistinhas, da nº 1 a nº 100 lançadas pela Abril, depois a revista passou a ser publicada pela editora Globo. Deliciava-me com as aventuras da criança simples que andava de pés descalços e era amigo das borboletas, jacarés e onças.
As suas histórias de resistência contra o adestramento escolar tornaram-se clássicos e hoje as revistas que narram essas histórias são disputadas em cursos de licenciaturas como preciosidades pedagógicas.
Anos antes outro morador do Brasil rural me encantara. Zé Carneiro, esse vivente do Sítio do Picapau Amarelo, na terra da imaginação de Monteiro Lobato corria suas aventuras.
Zé Carneiro era puro e ingênuo, vivia apenas para viver e não entendia direito os erros do mundo em uma natureza que para ele era perfeita. Até hoje quando vejo Tonico Ferreira, ator que dava vida ao Zé Carneiro na versão televisiva do Sítio, fico emocionado, volto ao velho Prédio da Leste, cenário da minha infância.
Ao voltar aquela já distante infância, brincamos eu, Chico Bento e o Zé Carneiro. Meus heróis eternamente crianças neste meu coração que de certa maneira é também terra de faz de contas.
Ps- Escrito ao som de  “ Menino da Porteira” com Sérgio Reis.




















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