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Opus 2

 “Você abusou/ tirou partido de mim/ abusou”. Esses versos são da canção Opus 2 de Antônio Carlos e Jocafi. Canção que é um hino aos corações machucados ou corroídos por algo que muitos insistem em chamar de amor.
Opus 2 canta a história de um ego despedaçado, humilhado e refém de um gostar prá lá de doente. Dois corações doentes: um que se permite a tortura, outro que se alegra em torturar.
Quantas pessoas vivem assim aprisionadas a relacionamentos que são torturas embaladas por mascaras românticas e sem sentido além da dor? Nada que rima com dor pode trazer felicidade, mas o fato é: por algum motivo algumas pessoas se permitem reféns de relações que estão mais por sessões de tortura no DOI-CODI, distantes de encontros afetivos baseadas no respeito e solidariedade.
Às vezes penso quantas pessoas há aprisionadas neste tipo de relacionamentos recheados de dor, exploração e sucessivos constrangimentos emocionais. As canções, ditas românticas, que mais fazem sucesso são as que contam histórias de abandono, solidão, amores não correspondidos ou doloridos.
Será a dor o ideal do amor para a maioria das pessoas? Não, não posso acreditar nisso. Relacionamentos são bons enquanto há amor, respeito, solidariedade, enfim prazer na convivência. Quando falta qualquer um desses ingredientes abre-se a porta para traições, mentiras, desespero e vandalismo sentimental.
Opus 2 é uma belíssima canção, principalmente na voz da Angela Rôrô, mas só quando fica no plano da arte, se o que diz sua letra e música triste tiverem eco na vida de uma pessoas algo de muito errado está acontecendo, alguém está sendo torturado em nome de algo que não é não pode ser amor.
Carência, fragilidade emocional, temor da solidão e um estado de entrega permanente são setas a indicarem sempre caminhos errados, caminhos os quais tem levado muitas pessoas a se submeterem não só a humilhação psicológica, mas física.
Escrever novos caminhos, aprender a gostar de si como partida para estar no mundo e não ao contrário, valorizar profundamente nossas emoções, expô-las sem medo e principalmente não cultivar a dor como prova de amor são caminhos, creio todos que estão vivendo o inferno de um amar doente deveriam trilhar.



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