Tesão

Escrevi no Word: “tesão” , ele censurou, indicou como substituta a palavra “excitação” . Pobre programador do Word, não sabe da beleza dessa palavra tão brasileira: tesão. Lembro da Tetê Espíndola gritando: “pois sem você meu tesão/ não sei o que eu você”. Sem tesão pouco se é.
Sem tesão a vida fica morninha, fica tudo meio bóia fria, sem tesão não há brilhos nos olhos e o que é carência naufraga de vez na chatice de nos aturarmos. Aturarmos é o mesmo que sobreviver quando deveríamos viver.
Hoje um vereador em minha cidade foi preso a mando do prefeito. “Delito” do vereador: crime de pensamento. Publicou um manifesto em que denunciava crimes econômicos praticados pelo prefeito contra o dinheiro público. A PM da Bahia deu um grande exemplo de polícia cidadã, serviu de capanga para um prefeito acusado de crimes gravíssimos.
Que tesão fica em viver em um país assim? Que pensar é crime? Escrever um manifesto é crime? Que não ser situação é crime?
A força impõe o não tesão, impõe a universalização da barbaria, tudo funciona certinho, enquanto houver miseráveis que aceitem viver de migalhas e sem tesão Darth Vader controlará as estrelas.
Estou com tesão para apreender inglês e entender melhor o canto de Robert Smithes, sentir emoções sem intermediários é tesão exato em prazer, tesão não pode ser terceirizado.
 Direto como paixão adolescente, talvez breve como o tempo sobre os nossos anos, assim o tesão nos faz febre do bem, coração em sincera alegria em dividir-se para somar-se.
Às vezes me masturbo, é um exercício de fantasia e tolerância entre carências físicas presumidas e emoções em vago prazer, mas é preciso admitir que por vezes é melhor masturba-se no na tara de si mesmo do que gastar energia com um corpo gostoso, mas sem tesão.
Tesão e prazer... Um chama o outro e se completam, ninguém é feito para prazeres solitários. Os ladrões são mais felizes quando roubam em quadrilha, os amantes quando seus corações são sincronizados pelas mesmas utopias de vida a dois, uma freira se entregar ao único homem que ela nunca poderá ter... Cristo... Eternamente pregado na cruz, morreu pelo tesão de nos salvar.
Vejo na TV esse monte de quase gente roubando dinheiro público, é muita grana, não consigo imaginar o porquê deles sempre desejarem mais e mais... Tesão sem fim por algo que certamente um dia vai matá-los.
O tesão que mata, humilha e redime, meus pequenos tesões, tão pequeninos: “Uma casa no campo/ dois amigos do peito/ e nada mais” *. O tesão convertido em uma eterna busca, nunca encontrado, ser do céu o relâmpago delicadamente convertido em mel na língua de quem amos.
Todos os dias as mesmas horas há aquele silêncio, o momento que pararmos, não somos nada além de silêncio, é o momento o qual recusamos até nossa voz, aquela companheira que sempre dialogamos e nunca nos deixar só. Nessas horas nosso maior tesão é ficarmos completamente absortos na natureza... Algo entre estar coisa e ser vida...Porque no fim com tesão ou não as coisas vivem mais que nossos corações em frágil encanto de vida.
ediney-santana@hotmail.com
http://edineysantana.zip.net/
Ps- Artigo escrito ao som de Pictures of you com The Cure
* Zé Rodrix e Tavito

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